O Acre realizou, no dia 3 de junho de 2025, o primeiro transplante de tecido ósseo da sua história. A cirurgia foi feita na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco, com apoio técnico do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), do Rio de Janeiro.
O procedimento marcou o início de uma nova etapa nos transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. No mesmo dia, uma segunda cirurgia de transplante ósseo foi realizada pela equipe local.
Desde o início do Programa de Transplantes da Fundhacre, já foram realizados 543 procedimentos: 333 de córnea, 105 de rim, 103 de fígado e 2 de tecido ósseo. Somente em 2024, o Acre realizou 62 transplantes e, até junho de 2025, mais 16.

Entre os transplantes realizados nos últimos dois anos, os números mostram aumento nas cirurgias. Em 2023, foram registrados 18 transplantes de fígado; em 2024, 16; e em 2025, até o momento, 7. No mesmo período, os transplantes de córnea saltaram de 6 em 2023 para 42 em 2024. Já os de rim passaram de 4 em 2024 para 5 em 2025.
Em abril de 2025, o Acre alcançou o 100º transplante de fígado, consolidando-se como uma das referências da Região Norte nesse tipo de procedimento.
A paciente do primeiro transplante ósseo foi Nerian Brito, de 45 anos, que aguardava por uma cirurgia desde 2014, após um atropelamento. Segundo a Fundhacre, ela segue em recuperação após o procedimento.
O avanço no Acre acompanha a tendência nacional. O Ministério da Saúde informou que, em 2024, o Brasil realizou mais de 30 mil transplantes — o maior número desde a criação do SUS —, o que representa um crescimento de 18% em comparação com 2022.
Entre as medidas adotadas para ampliar os transplantes estão a Prova Cruzada Virtual, a nova divisão regional de distribuição de órgãos e o Programa Nacional de Qualidade em Doação para Transplantes (ProDOT), que atua na capacitação de equipes para abordagem familiar.
Apesar do aumento nos procedimentos, a taxa de recusa familiar continua sendo um desafio. Em 2024, das 88 famílias abordadas no Acre, 44 recusaram a doação de órgãos, o equivalente a 50%. Sem autorização familiar, a captação de órgãos não pode ser realizada.
A realização de um transplante mobiliza, em média, 30 profissionais diretamente, além de até 300 indiretamente. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), o Estado tem investido em infraestrutura e formação de equipes para ampliar o acesso a procedimentos de alta complexidade na rede pública.
Fonte: Agência de Notícias do Acre






























