A escolha de um codinome para uma fase da investigação policial criou um novo ponto de atrito entre o Palácio do Planalto e a Polícia Federal. A operação que quebrou os sigilos de Luís Inácio Lula da Silva (filho do presidente, conhecido como Lulinha) e da lobista Roberta Luchsinger recebeu o nome de “Elli”. Para integrantes do governo e aliados do presidente, a palavra tem uma sonoridade que remete ao “L”, gesto feito com as mãos usado nas campanhas do Partido dos Trabalhadores.
A Polícia Federal não confirmou nem descartou essa interpretação. A corporação afirma, em nota, que o nome pode ter origem hebraica, relacionado aos termos “luz” ou “meu Deus”. Também não há, segundo a PF, qualquer investigado com esse nome nos inquéritos em andamento.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, classificou a denominação como inadequada e até criminosa. Em declaração pública, ele cobrou explicações formais da PF sobre os critérios para a escolha do codinome, ressaltando que não haveria justificativa plausível para o uso daquele termo.
Para a defesa, a escolha do nome seria parte de uma estratégia de setores da PF que teriam interesse em interferir no processo eleitoral. Carvalho disse que vê na situação uma perseguição política, mas fez questão de separar essa crítica do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por quem afirma ter respeito.
A operação Elli é um braço de investigações maiores sobre fraudes contra aposentadorias do INSS. O foco principal é apurar esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e pessoas do círculo financeiro dele. Foi a partir desse contexto que o nome de Roberta Luchsinger surgiu nas apurações.
A suspeita dos investigadores é que Lulinha teria usado sua influência no Planalto para facilitar o acesso de terceiros a órgãos do governo federal, incluindo tentativas de viabilizar contratos com o Ministério da Saúde. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
Uma mensagem extraída do celular de Roberta chamou a atenção dos investigadores. Em uma conversa, ela teria dito que o futuro dela e de Lulinha seria “na Suíça”. A defesa contesta o valor probatório da mensagem, argumentando que não teve acesso à cadeia de custódia do material.
Lulinha não é alvo da investigação original sobre fraudes no INSS, mas acabou citado em depoimentos e documentos. A partir disso, o Supremo Tribunal Federal autorizou três inquéritos distintos, sendo dois sob relatoria do ministro André Mendonça e um sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.
Até o momento, segundo investigadores, não há provas de que Lulinha tenha recebido vantagens financeiras ou se beneficiado diretamente das articulações mencionadas. A apuração segue sob sigilo, e a PF ainda não explicou publicamente a origem do nome que gerou essa nova controvérsia política.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias





























