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VAREJO NO GOVERNO LULA 3Casas Bahia fecha 298 lojas e demite 1,9 mil funcionários

Rede varejista corta 28,7% das unidades em dois dias como parte de reestruturação.

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A rede varejista Casas Bahia encerrou as atividades de 298 lojas em todo o território nacional entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), conforme apuração do jornal Valor. A medida veio acompanhada do desligamento de aproximadamente 1,9 mil colaboradores, em um movimento que integra um plano mais amplo de contenção de gastos, motivado por seguidos resultados negativos.

O encerramento das unidades representa uma redução de 28,7% do parque de lojas da companhia, que contava com pouco mais de mil pontos de venda no país. Trata-se de um dos maiores cortes já realizados de uma só vez pela varejista, uma vez que, em administrações anteriores, as reduções costumavam ser diluídas ao longo do ano, com a baixa de 20 a 30 lojas anualmente.

No que se refere às demissões, cerca de 600 funcionários foram dispensados na quinta-feira. Já nesta sexta-feira, a expectativa é de que mais 1,3 mil a 1,4 mil trabalhadores sejam desligados, segundo duas fontes ouvidas pelo Valor. O montante equivale a aproximadamente 6,7% do total de empregados da varejista. Uma terceira fonte, no entanto, estima que o número possa alcançar 3 mil demissões.

Até o momento, a Casas Bahia não se pronunciou oficialmente sobre os cortes. A reestruturação acontece após uma sequência de prejuízos. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou perda de quase R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do verificado no mesmo período de 2025.

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Em 2025, o prejuízo consolidado atingiu R$ 3 bilhões, três vezes o montante negativo do ano anterior. Além disso, a companhia enfrenta o impacto do endividamento dos consumidores, que reduz o poder de compra, e ainda sofre com as elevadas despesas financeiras.

Em 2024, a Casas Bahia ingressou em recuperação extrajudicial para reestruturar sua estrutura de capital. O processo foi concluído após um acordo firmado com bancos. No primeiro trimestre deste ano, a dívida líquida diminuiu, principalmente devido à conversão de dívidas de credores em ações da empresa. Apesar disso, a varejista continua apresentando perdas em seus balanços.

A companhia encerrou 2025 com 1.042 lojas, frente a 1.064 no ano anterior. Em 2023, eram 1.078 unidades das bandeiras Casas Bahia e Ponto Frio. Nos 12 meses até março, haviam sido fechadas 26 lojas, sendo 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio. Agora, o fechamento de 298 unidades representa uma redução muito mais expressiva e concentrada em poucos dias.

Em seu balanço do primeiro trimestre, a empresa afirmou que monitora o desempenho de cada loja e centro de distribuição, encerrando operações que não geram valor. O fechamento das lojas e as demissões fazem parte de um plano de redução de custos que a companhia deve detalhar ao mercado nos próximos dias.

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A medida, porém, também gera despesas no curto prazo, principalmente com rescisões e outros custos da reestruturação. A expectativa é que os cortes reduzam os gastos da operação no médio e longo prazo. Segundo o Valor, a companhia também vem tentando melhorar seu ciclo financeiro, incluindo o adiamento de pagamentos a lojistas do marketplace e a negociação de prazos maiores com fornecedores da indústria.

A Casas Bahia adiou a divulgação dos resultados do segundo trimestre, inicialmente prevista para quarta-feira (12), mas que será apresentada nesta sexta-feira (14). A teleconferência com analistas está marcada para segunda-feira (17).

Apesar das dificuldades, a receita bruta consolidada da Casas Bahia cresceu 6,4% no primeiro trimestre, somando R$ 8,8 bilhões. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo comércio digital. No período, a receita do marketplace caiu 0,6% e a das lojas físicas recuou 1,8%. As vendas digitais de produtos próprios, porém, cresceram 26% no início do ano, com parte dessas vendas ocorrendo pelo Mercado Livre. A margem bruta ficou estável em 30,3%.

A redução da rede física e do quadro de funcionários faz parte da tentativa da Casas Bahia de diminuir despesas, melhorar a geração de caixa e voltar a ter lucro.

Fonte: ND+

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