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REFLEXOSNovas tarifas dos EUA ampliam dificuldades para exportadores brasileiros, dizem entidades

CNI, Fiesp, FIEMG e Amcham criticam sobretaxa de 25% e alertam para perda de competitividade.

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação nesta quinta-feira (16) com a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. A entidade avalia que a medida agrava as dificuldades já enfrentadas pelos exportadores nacionais e aumenta a insegurança para empresas de ambos os países.

Em nota oficial, a CNI destaca que os efeitos das tarifas aplicadas desde 2025 já são perceptíveis no comércio bilateral. As exportações brasileiras para os EUA recuaram 13% no período, uma perda de US$ 2,6 bilhões, puxada pela redução nas vendas de bens industriais como siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que 20 dos 27 estados brasileiros reduziram suas exportações para o mercado americano no primeiro semestre. Ele destacou que o cenário tende a piorar com a nova tarifa, corroendo a competitividade da indústria nacional, e defendeu esforços para reverter a situação.

Entre os estados mais afetados, Minas Gerais registrou queda de 18,9% nas exportações para os EUA, Espírito Santo 19,2%, Rio Grande do Sul 22,6%, Santa Catarina e Paraná 32,9% cada. Apesar da retração, os EUA seguem como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução do governo brasileiro nas negociações com os EUA. Em nota, a entidade classificou a sobretaxa como um duro golpe à competitividade e afirmou que a retaliação poderia ter sido evitada com uma abordagem técnica e pragmática.

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A Fiesp atribuiu parte do agravamento das tensões a ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que o mercado americano é o principal destino de produtos de alto valor agregado e que a nova tarifa se soma a desafios como alta carga tributária e juros elevados.

A federação informou que continuará atuando junto a parceiros nos EUA para buscar a reversão ou mitigação das tarifas, com ampliação da lista de isenções.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também se posicionou contra a medida. A entidade alertou que a tarifa de 25% amplia os custos de acesso ao mercado americano e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros, podendo levar à substituição de fornecedores, redução de margens e renegociação de contratos.

Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, destacou a necessidade de clareza sobre os produtos atingidos, prazos e tratamento de contratos em andamento para reduzir incertezas. A entidade defendeu o reforço das negociações bilaterais e regras claras para evitar perda prolongada de competitividade.

A Amcham Brasil classificou o resultado da investigação que levou à tarifa como muito negativo. A medida atinge cerca de 3 mil produtos e mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio, colocando o Brasil entre os países com condições mais restritivas para acessar o mercado americano.

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A entidade destacou que as sobretaxas elevam custos para empresas e consumidores dos EUA, reduzem a competitividade da indústria americana que usa insumos brasileiros e aprofundam a queda do comércio bilateral. O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu a manutenção do diálogo entre os governos e alertou para o risco de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que podem elevar as sobretaxas para até 37,5%.

A Amcham considerou positiva a exclusão de alguns produtos da lista de tarifas, mas pediu a criação de um mecanismo para avaliar novas isenções que evitem impactos econômicos desproporcionais.

Em nota integral, a Fiesp lamentou profundamente a aplicação da sobretaxa, classificando-a como especialmente prejudicial por atingir exclusivamente o Brasil. A entidade afirmou que a retaliação poderia ter sido evitada com uma condução técnica, e que continuará trabalhando para reverter ou mitigar as tarifas.

A FIEMG, em sua nota, reiterou a preocupação com a perda de competitividade e pediu clareza nas regras de implementação. A Amcham, por sua vez, reforçou a necessidade de diálogo e alertou para os riscos de novas tarifas.

Fonte: G1

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