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ACREGoverno do Acre prepara plano de contingência para enfrentar Super El Niño em terras indígenas

Com 63% de chance de El Niño muito forte em 2026, governo do Acre e Sepi elaboram plano com monitoramento, logística e abastecimento para minimizar impactos em aldeias.

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Diante da previsão de seca severa na Amazônia para 2026, o governo do Acre estrutura ações para mitigar os efeitos de um possível Super El Niño nos territórios indígenas do estado. A Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), em parceria com a Defesa Civil estadual, órgãos de saúde e lideranças indígenas, desenvolveu um plano de contingência que abrange monitoramento, logística, segurança alimentar e abastecimento de água para atender as aldeias potencialmente afetadas pela estiagem.

O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera os padrões climáticos globais. Na Amazônia, seus efeitos incluem redução de chuvas, aumento de temperatura, intensificação de queimadas e queda do nível dos rios, dificultando o acesso a comunidades isoladas. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) indicam 63% de probabilidade de um El Niño muito forte em 2026. O Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) do Acre projeta agravamento da seca a partir de agosto e setembro.

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A titular da Sepi, Francisca Arara, afirmou que o planejamento foi iniciado após reuniões técnicas sobre os possíveis impactos. “Estamos nos preparando para dificuldades de acesso aos territórios, garantindo planejamento para transporte, combustível, alimentação, abastecimento de água e apoio às famílias indígenas”, disse. A secretaria já encaminhou à Defesa Civil um documento com as necessidades específicas de cada região indígena, incluindo custos de deslocamento terrestre, fluvial e aéreo, além do possível uso de helicópteros em áreas remotas.

Entre as medidas previstas estão o fortalecimento da segurança hídrica, com construção e recuperação de poços e implantação de reservatórios para água potável nas aldeias. Na área da saúde, a articulação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) busca assegurar atendimento rápido diante do aumento de doenças relacionadas à seca e ao calor extremo. O coordenador estadual da Defesa Civil, Carlos Batista, enfatizou a importância da antecipação: “Um plano de contingência é executado em parceria com a Sepi e lideranças, respeitando as particularidades culturais e territoriais. Ações estão sendo antecipadas devido às dificuldades de acesso nos períodos críticos”.

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O monitoramento diário dos níveis dos rios e a emissão de alertas meteorológicos adaptados também integram o plano. A Defesa Civil Municipal de Rio Branco informou que, em 26 de maio, o Rio Acre registrou nível de 2,70 metros, sinal de atenção para a estiagem na capital. Além disso, o Grupo de Trabalho (GT) para Mitigação dos Impactos de Eventos Climáticos Extremos em Territórios Indígenas, que reúne instituições estaduais, federais e organizações indígenas, debateu medidas de segurança alimentar, recursos hídricos e proteção territorial.

A presidente do IMC, Jaksilande Araújo, ressaltou que “calor extremo, redução das chuvas e seca dos rios estão entre os principais efeitos do El Niño, com impactos diretos na saúde, segurança alimentar e produção agrícola”. Ela informou que o IMC destinou R$ 4 milhões, via edital de chamamento público, para apoiar comunidades tradicionais em iniciativas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

Fonte: Agência de Notícias do Acre

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