Café do Juruá é destaque na Expoacre com venda de 18 mil sacas e mira novos mercados
A força da produção cafeeira do Vale do Juruá tem se consolidado como uma das boas apostas para o desenvolvimento sustentável do interior do Acre. Durante a Expoacre Juruá, a comercialização de 18 mil sacas de café representou um marco para o setor. A rodada de negócios, articulada entre produtores locais, indústrias processadoras e a Coopercafé (Cooperativa de Produtores de Café do Acre), revelou o potencial competitivo do café acreano.
A iniciativa envolveu marcas locais como Vovó Pureza, Café Nauas e AS Café, além de empresas processadoras que aproveitaram a visibilidade da feira para promover seus produtos e fechar contratos promissores. “A Expoacre Juruá tem se mostrado uma vitrine de oportunidades. O anúncio da aquisição dessas sacas de café é um passo significativo para fortalecer nossa cadeia produtiva e gerar renda para o setor”, afirmou o secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Assurbanípal Mesquita.
O presidente da Coopercafé, Jonas Lima, também destacou o avanço do setor: “Essa negociação demonstra a confiança crescente no café acreano. Trabalhamos para garantir mercado e valorização aos nossos cooperados, e essa feira foi decisiva nesse processo.”
A produção atual e o salto em dez anos
A produção de café no Acre, embora ainda modesta em comparação com grandes estados produtores, como Minas Gerais ou Espírito Santo, vem ganhando terreno de forma constante. Dados da Seict e da Conab indicam que o Acre produz atualmente cerca de 40 mil sacas por ano, sendo o Juruá responsável por mais de 70% desse volume.
Há dez anos, o estado produzia cerca de 10 mil sacas por ano, em sua maioria com técnicas rudimentares, baixo nível de mecanização e dificuldade de acesso a insumos. Com investimentos em extensão rural, cooperativismo, capacitação técnica e incentivos fiscais, o cenário mudou. Hoje, mais de 400 famílias vivem diretamente do cultivo do café na região do Juruá, e a produtividade média por hectare aumentou em mais de 80%.
Potencial e expectativa de expansão
Estudos conduzidos pela Embrapa Acre mostram que a região do Juruá tem potencial para triplicar sua produção até 2030, especialmente com o avanço de tecnologias de irrigação, melhoria genética de mudas e ampliação da área plantada em propriedades familiares.
O governo estadual e instituições como o Sebrae têm atuado na promoção de programas de incentivo à agroindústria e ao acesso a novos mercados, incluindo exportações para países da América do Sul.
Desafios e oportunidades
Entre os principais desafios dos produtores estão:
- A logística precária para o escoamento da produção;
- Falta de crédito específico para expansão;
- Carência de torrefadoras e beneficiadoras locais.
Para enfrentar essas dificuldades, empresas como a Vovó Pureza e Café Nauas têm investido em parcerias com pequenas agroindústrias locais e defendem a criação de polos processadores regionais, que agregariam valor ao grão e reduziriam a dependência de outros estados.
O cenário demonstra que, com respeito à propriedade, valorização do trabalho e estímulo à iniciativa privada, o Acre tem tudo para transformar o café do Juruá em marca registrada da agricultura forte e livre do estado.
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Com informações de Agência de Notícias do Acre




























