A crescente insatisfação com o comportamento político e arbitrário do Judiciário brasileiro ganha mais um capítulo neste domingo, 29 de junho, com uma nova manifestação convocada por líderes evangélicos, entre eles o pastor Silas Malafaia, em defesa de “Justiça Já!”. O evento, que ocorrerá na Avenida Paulista, em São Paulo, contará com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro e deve reunir dezenas de milhares de manifestantes — em mais um alerta da sociedade contra os abusos da Suprema Corte e condenações consideradas injustas.
O grupo organizador inclui dez grandes lideranças religiosas com forte alcance nas redes sociais — mais de 20,3 milhões de seguidores ao todo. A mobilização tem como objetivo denunciar as penas desproporcionais aplicadas a manifestantes, o uso político de inquéritos, e a inversão de papéis no Judiciário, que hoje concentra funções de vítima, investigador e juiz na mesma figura — como ocorre no Inquérito 4.781, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, que já foi criticado por juristas, parlamentares e até pela ONU por atentar contra princípios do devido processo legal.

Números e histórico das manifestações
A mais recente manifestação com presença de Bolsonaro na Avenida Paulista, em abril de 2024, mobilizou cerca de 44,9 mil pessoas, segundo dados da Polícia Militar. Em maio, em Brasília, um novo ato reuniu 4 mil apoiadores, mesmo com forte cerco midiático e decisões judiciais tentando desmobilizar os eventos. A manifestação do dia 29 de junho, contudo, promete superar os números anteriores, com caravanas sendo organizadas de vários estados e apoio de redes religiosas, civis e conservadoras.
Além da visibilidade popular, esse tipo de manifestação pressiona o Congresso Nacional, que detém o poder constitucional de realizar reformas no Judiciário, como a limitação de mandatos no STF, restrições ao foro privilegiado, e a aprovação de códigos de conduta para magistrados, atualmente sendo debatidos também em comissões da OAB-SP, como mostramos anteriormente aqui no Portal Acre Conservador.
Discrepâncias
Um ponto que merece reflexão nas manifestações convocadas por líderes religiosos, como a que ocorre no próximo domingo na Avenida Paulista, é a interseção entre fé e política. A presença de pastores influentes ao lado de figuras como Jair Bolsonaro potencializa o alcance do movimento entre fiéis e comunidades religiosas, fortalecendo a mobilização por meio de uma linguagem comum de valores e princípios. No entanto, essa mistura pode ser vista por alguns setores da sociedade como uma confusão entre as esferas espiritual e institucional, o que, em certos contextos, pode enfraquecer a legitimidade do protesto junto ao público mais plural.
Ainda assim, os números de participantes nessas manifestações frequentemente levantam controvérsias: enquanto dados oficiais tendem a apresentar estimativas mais modestas — como os 44,9 mil apontados pela PM em abril —, as imagens aéreas e vídeos de apoiadores sugerem presença significativamente maior, indicando possível subnotificação. Essa discrepância entre registros formais e o que se vê nas ruas reforça a ideia de que o impacto real dessas mobilizações pode estar sendo deliberadamente minimizado por motivos políticos.
As causas por trás da indignação
O crescente descrédito do STF tem como pano de fundo ações seletivas e decisões cada vez mais dissociadas da letra da Constituição. Militantes de esquerda e corruptos confessos têm sido tratados com indulgência, enquanto manifestantes do 8 de janeiro receberam penas de até 17 anos de prisão por crimes sem vítimas fatais. Enquanto isso, líderes de facções criminosas, traficantes e réus de colarinho branco, são liberados por “garantismo processual”.
Casos como o da deputada Janaina Paschoal sendo censurada pelo STF por simples opinião, ou da prisão de jornalistas, militares e cidadãos comuns sem julgamento efetivo, são vistos como sinais de um Judiciário cada vez mais distante da legalidade e mais próximo do autoritarismo de toga.
Reação que ecoa
O ato do próximo domingo não é isolado. Em 2023 e 2024, mais de 15 grandes manifestações de rua ocorreram contra decisões do STF, muitas delas com foco no papel de Alexandre de Moraes. Embora o Judiciário tenha até aqui ignorado essas manifestações, a pressão popular tem sido sentida no Congresso, onde já tramitam 15 propostas de emenda constitucional (PECs) que visam limitar o poder da Suprema Corte e submeter suas decisões ao escrutínio democrático.
A manifestação do dia 29 promete ser mais do que um ato simbólico. Representa uma frente unificada da sociedade civil, evangélicos, conservadores, juristas e cidadãos comuns que exigem um Judiciário mais justo, imparcial e constitucional.
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Fonte: Jovem Pan Primária































