Duas pesquisas divulgadas nesta semana — uma do instituto Genial/Quaest e outra do PoderData — apontam uma virada histórica no apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre católicos, grupo religioso que tradicionalmente esteve mais próximo do campo progressista. Pela primeira vez desde o início do atual mandato, a desaprovação dos católicos supera a aprovação, revelando um desgaste crescente da imagem do governo junto a esse segmento.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, 53% dos católicos desaprovam a gestão de Lula, contra 45% que ainda a aprovam. Em março, havia um empate técnico (49% a 49%). A curva de rejeição ganhou força, refletindo o aumento das críticas também entre evangélicos, onde o presidente já enfrenta uma resistência consolidada: 66% desaprovam sua administração, e apenas 30% aprovam.
A queda no apoio religioso acontece em meio a um cenário de crescente insatisfação popular com o governo. No recorte geral, a desaprovação chegou a 57%, o pior índice do mandato, enquanto a aprovação caiu para 40%. A percepção de que o país está na direção errada subiu para 61%, um aumento constante desde janeiro de 2025.
Entre os fatores que podem ter impulsionado esse desgaste está o escândalo de fraudes no INSS, revelado recentemente. A pesquisa Quaest indica que 82% da população tomou conhecimento do caso, e entre esses, 31% responsabilizam o governo diretamente pelos desvios. O impacto da crise pode ter reverberado com força em setores que costumam valorizar a ética na gestão pública, como os segmentos religiosos.
A PoderData também confirmou a tendência. Em levantamento realizado entre 31 de maio e 2 de junho, o instituto registrou que 48% dos católicos desaprovam o governo, ante 45% de aprovação — resultado que, embora dentro da margem de erro (3,6 pontos), representa uma quebra simbólica na base de apoio.
A queda é significativa. Em janeiro de 2023, no início do governo, 62% dos católicos aprovavam Lula e apenas 31% desaprovavam. Já entre os evangélicos, o cenário é ainda mais crítico: 70% de rejeição contra 25% de aprovação, um agravamento em relação aos 56% de desaprovação registrados no início do mandato.
As pesquisas reforçam o desafio do presidente Lula em reconquistar a confiança de setores que foram decisivos em eleições passadas, mas que hoje demonstram desencanto com promessas não cumpridas, escândalos de gestão e um distanciamento crescente de pautas caras à moral cristã.
Enquanto o governo tenta equilibrar sua base de apoio no Congresso e manter programas sociais em funcionamento, os números sugerem que a erosão da confiança entre religiosos pode ter impactos duradouros, especialmente com a aproximação das eleições municipais de 2026.
Fonte: Brasil Paralelo / Revista Oeste






























