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TERRA E DESENVOLVIMENTO

Regularização fundiária na faixa de fronteira pode destravar economia no Acre

Medidas aprovadas no Senado abrem caminho para garantir segurança jurídica a produtores, fomentar investimentos e corrigir omissões históricas do Estado brasileiro

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Após 175 anos de indefinições legais desde a promulgação da Lei de Terras de 1850, o Brasil começa a corrigir um dos maiores entraves ao desenvolvimento nas regiões de fronteira: a insegurança fundiária. Um novo capítulo se desenha com a aprovação, no Senado, do Projeto de Lei 1.532/2025, que prorroga até 2030 o prazo para regularização de imóveis rurais localizados até 150 km da linha de fronteira. Paralelamente, o PL 4.497/2024 busca estabelecer regras claras para o processo de ratificação de títulos, com impacto direto sobre o Acre.

O drama da insegurança jurídica e o silêncio do Legislativo

Durante décadas, o tema foi ignorado pelos sucessivos governos e pelo Congresso Nacional. A omissão legislativa resultou em entraves burocráticos, insegurança jurídica para os produtores e falta de clareza sobre o destino das terras localizadas em áreas estratégicas para a soberania nacional. No Acre, estima-se que quase 50% do território esteja inserido na faixa de fronteira, ou seja, cerca de 78 mil km² estão submetidos às incertezas legais que travam investimentos, impedem o acesso a crédito rural e limitam o crescimento sustentável do estado.

A ausência de atualização da legislação, bem como a resistência ideológica de setores da esquerda em tratar da regularização fundiária com seriedade, criaram um ambiente hostil ao produtor rural, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Esse vácuo jurídico alimenta a burocracia estatal e abre espaço para narrativas que ignoram o direito legítimo daqueles que produzem há décadas em terras hoje tidas como “pendentes de regularização”.

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O que está em jogo agora

Com o texto aprovado no Senado, o caminho será analisado em duas comissões da Casa: Relações Exteriores e Agricultura. Entre os avanços propostos está a possibilidade de regularização por autodeclaração caso o órgão público não se manifeste em até 15 dias, a prorrogação da exigência de georreferenciamento até 2028, e a permissão de regularização mesmo em áreas com demarcação indígena ainda não homologada.

A bancada ruralista, liderada por nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Jaime Bagattoli (PL-RO), defende que o objetivo não é “dar novas terras”, mas garantir que aqueles que ocupam legalmente áreas herdadas do Império ou por repasses da União tenham sua posse reconhecida. Segundo levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as exigências variam de estado para estado, dificultando ainda mais a legalização.

Já os setores ligados à esquerda e ao Ministério dos Povos Indígenas, criticam o projeto alegando ameaças aos direitos territoriais de comunidades tradicionais. Tais alegações, no entanto, parecem desconsiderar o fato de que o projeto exige comprovação de documentos e não permite registros em áreas com demarcação já homologada.

Impacto para o Acre

No caso específico do Acre, a regularização fundiária poderá:

  • Atrair investimentos nacionais e estrangeiros para o agronegócio;
  • Ampliar a arrecadação do estado por meio de impostos rurais e geração de empregos;
  • Reduzir conflitos fundiários, com segurança jurídica para posseiros e pequenos produtores;
  • Fortalecer a segurança nacional, ao fixar populações nas áreas fronteiriças.
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A inércia histórica do Legislativo e o ativismo ideológico de alguns setores contribuíram para o prolongamento desse problema. A falta de atuação estratégica por parte do governo federal e a ausência de coordenação institucional retardaram a regularização de áreas cuja ocupação produtiva e pacífica ocorre há décadas.

Caminhos e soluções

Para destravar definitivamente esse gargalo, é essencial:

  • A celeridade no trâmite do PL 4.497/2024 no Senado;
  • O fortalecimento dos cartórios de registro com atribuições claras e acesso digital aos documentos históricos;
  • A criação de um marco regulatório transparente que respeite os direitos adquiridos e defina claramente os limites de atuação do Incra, Ibama e Funai;
  • A despolitização da questão fundiária, que deve ser tratada como pauta de soberania, segurança jurídica e desenvolvimento nacional.

O Acre, como estado de fronteira, poderá ser diretamente beneficiado com a efetivação dessas medidas, tanto no fortalecimento do agronegócio quanto na valorização das famílias que produzem em terras há muito negligenciadas pelo Estado.

Enquanto a mídia tradicional insiste em colocar o debate fundiário sob o prisma do conflito e da militância ideológica, o Portal Acre Conservador seguirá acompanhando, com independência e compromisso com a verdade, os desdobramentos que podem transformar o cenário rural e econômico do Acre e do Brasil.

Continue acompanhando o portal para mais atualizações sobre temas que impactam diretamente a vida dos acreanos.

 

Reportagem Portal Acre Conservador
Com informações da Agência Senado

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