Quando Olavo de Carvalho recordava sua formação intelectual, o nome do padre jesuíta Stanislavs Ladusãns ocupava uma posição singular. Não era apenas mais um professor entre tantos outros. Para Olavo, Ladusãns representava algo muito mais raro: a experiência concreta de estar diante de um filósofo verdadeiro.
Nascido na Letônia, em 1912, doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e radicado no Brasil desde 1947, Ladusãns construiu aqui uma extensa trajetória dedicada à filosofia cristã, ao tomismo e ao estudo do pensamento brasileiro. Foi também um dos primeiros intelectuais a reconhecer a importância e a originalidade da obra de Mário Ferreira dos Santos.
Olavo estudou sob sua orientação no Conjunto de Pesquisa Filosófica, no Rio de Janeiro, entre 1990 e 1993. Anos depois, ao recordar aquela experiência, afirmou ter visto nas aulas de Ladusãns, pela primeira vez no Brasil, aquilo que considerava um filósofo autêntico, alguém em pleno domínio dos instrumentos de sua ciência.
Essa admiração ajuda a compreender o que Olavo entendia por filosofia.
Ladusãns não tratava a filosofia como simples exposição de autores, repetição de sistemas ou exercício acadêmico. Segundo o relato de Olavo, diante de um problema ele o examinava por diferentes ângulos, utilizando com naturalidade instrumentos da lógica aristotélica, da dialética hegeliana e da análise linguística. O resultado frequentemente convergia para o tomismo, mas não como uma conclusão previamente imposta.
Esse ponto era decisivo para Olavo: a verdade não poderia ser obtida mediante uma manipulação intelectual destinada apenas a confirmar uma crença anterior.
Ladusãns era sacerdote católico e tomista, mas, na avaliação de seu aluno, sua fidelidade religiosa não eliminava a honestidade filosófica. Razão e fé poderiam encontrar-se justamente porque o filósofo deveria permitir que a investigação percorresse livremente todas as etapas necessárias.
É possível perceber aí uma influência importante sobre o pensamento posterior de Olavo: a convicção de que filosofia não é adesão automática a uma escola, mas investigação radical da realidade, sustentada por domínio lógico, independência intelectual e responsabilidade diante da verdade.
A morte de Ladusãns, em 25 de julho de 1993, encerrou também aquela etapa da formação de Olavo. O Conjunto de Pesquisa Filosófica deixou de funcionar, e ele decidiu não prosseguir sua formação em outros cursos universitários brasileiros, que considerava intelectualmente insuficientes.
Talvez por isso Ladusãns tenha permanecido, para Olavo de Carvalho, mais do que um professor: tornou-se uma espécie de medida intelectual.
Foi com ele que Olavo dizia ter aprendido, na prática, a diferença entre conhecer filosofia e verdadeiramente filosofar.





























