O confronto com o mal
A tarde de terça-feira, 5 de maio de 2026, jamais será esquecida. O que deveria ser um dia comum de aprendizado no Instituto São José, em Rio Branco, transformou-se em um cenário de horror e, simultaneamente, de heroísmo incalculável.
As supervisoras de corredor Alzenir Pereira da Silva (53 anos) e Raquel Sales Feitosa (37 anos) tornaram-se o último obstáculo entre um adolescente armado e centenas de alunos. Ao avistarem o agressor — um aluno de 13 anos empunhando uma pistola — elas não buscaram abrigo. Em um gesto de altruísmo puro, avançaram contra o perigo.
Luta corporal: Relatos confirmam que as duas servidoras entraram em luta física com o atirador para impedir que ele invadisse as salas de aula onde as crianças se escondiam.
O sacrifício: Durante o esforço para desarmar o jovem, ambas foram atingidas por disparos à queima-roupa e tombaram no local que dedicaram suas vidas para cuidar.

Vidas dedicadas ao próximo
A comoção que toma conta de Rio Branco reflete o carinho que a comunidade sentia por estas mulheres.
Alzenir (“Tia Zena“): Com 15 anos de dedicação à escola, era o símbolo do acolhimento para gerações de alunos.
Raquel Sales: Estudante de enfermagem e mãe, Raquel personificava a garra da mulher acreana, conciliando sonhos e o dever de proteger.
“Foram guerreiras que deram a vida pela minha filha e pelos que estão aí“, desabafou Jessé Lemos, pai de uma estudante salva pelo ato heroico.
Falha e negligência: a origem da arma
As investigações apontam que a tragédia foi facilitada pela negligência. O agressor utilizou uma pistola .380 do padrasto, um advogado, após conseguir acesso às chaves de um cofre. O proprietário da arma foi detido por negligência na guarda do armamento. Além das vítimas fatais, uma criança de 11 anos e outra funcionária foram feridas, mas seguem estáveis.
O heroísmo que nos envergonha e nos orgulha
O sacrifício de Alzenir e Raquel é um testemunho de que o mal, embora barulhento, sempre encontra resistência na virtude humana. Estas mulheres não eram treinadas para o combate, mas o instinto materno e o senso de dever falaram mais alto que o medo.
Enquanto o estado chora sob o luto oficial de três dias decretado pela governadora Mailza Assis, fica a reflexão urgente sobre a segurança em nossas escolas e o monitoramento de jovens em ambientes virtuais. Que o heroísmo de “Tia Zena” e Raquel nunca seja esquecido, e que seus nomes sejam honrados como defensoras da vida. O Acre se curva diante de suas memórias. 🛡️🌹🇧🇷






























