O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), por meio do Observatório de Violência de Gênero (OBSGênero), em parceria Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), com apoio do Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), realizou nesta quinta-feira, 26, o evento “O papel dos meios de comunicação no combate à violência de gênero e à revitimização”.
A iniciativa reuniu profissionais da imprensa para discutir a forma como os casos de violência contra a mulher têm sido abordados pelos meios de comunicação. Também participaram do evento integrantes de movimentos sociais social voltados aos direitos das mulheres.
“Estamos tratando de um tema extremamente relevante, mas ainda pouco debatido. Fomos instados pelo Conselho Estadual de Mulheres a provocar essa reflexão. Enfrentar essa problemática exige esforço coletivo da sociedade civil, instituições públicas, setor privado e, principalmente, a imprensa. A mídia tem um papel fundamental ao informar com responsabilidade, evitar a revitimização e combater o discurso de ódio e a desinformação”, disse a procuradora de Justiça Patrícia Rêgo, coordenadora-geral do Centro de Atendimento à Vítima (CAV) e do OBSGênero.
Durante a programação, o promotor de Justiça Thalles Ferreira, coordenador adjunto do CAV e do OBSGênero, apresentou uma introdução à pesquisa realizada pelo Observatório, que analisou a cobertura da imprensa sobre casos de feminicídio no Acre, entre os anos de 2018 e 2024.

“A imprensa acreana tem sido uma aliada fundamental na efetivação dos direitos humanos e chamamos esses profissionais hoje para reforçar essa parceria. Nosso objetivo maior é zerar os índices de feminicídio no estado. Identificamos, por exemplo, que em 89% dos casos de assassinatos de mulheres, as vítimas não tinham medidas protetivas. Isso mostra que as medidas protetivas salvam vidas”, ressaltou.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac), Luiz Cordeiro, reforçou o compromisso da categoria com a pauta e colocou a entidade à disposição para apoiar iniciativas que contribuam com a sensibilização da imprensa.
“Esse é um tema de grande relevância para nós, profissionais da comunicação, pois nos ajuda a aprimorar a forma como tratamos essas pautas no dia a dia. É fundamental que tenhamos responsabilidade e sensibilidade ao abordar essas situações”, destacou.
Palestra “O papel dos meios de comunicação no combate à violência de gênero e à revitimização
A programação contou ainda com a palestra da advogada, escritora e doutora em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Alice Bianchini, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas.
Em sua palestra, a especialista abordou o impacto da cobertura midiática nos casos de violência contra a mulher, especialmente o feminicídio, e destacou a necessidade de práticas que evitem a revitimização.


“Os meios de comunicação têm um papel central no combate à violência contra a mulher e, por isso, uma enorme responsabilidade ao divulgar casos de feminicídio. As histórias de vida dessas mulheres são diversas, mas as histórias de morte, infelizmente, se repetem: tudo começa com uma violência menor, que vai crescendo até chegar no feminicídio”, pontuou.
Texto: Marcelina Freire
Fotos: Diego Negreiros
Agência de Notícia do MPAC
Fonte: Ministério Publico – AC




























