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HORA DE INVESTIGAR

Instalação da CPMI do INSS depende de decisão de Davi Alcolumbre

Requerimento já tem assinaturas suficientes, mas leitura em Plenário aguarda ato do presidente do Senado
Para CPMI iniciar é necessário que o Presidente do Senado decida ler o requerimento de instalação que já tem assinaturas suficientes para seu início imediato.

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O Congresso Nacional realiza nesta terça-feira (17) uma das sessões mais aguardadas do semestre. Além de enfrentar uma pauta carregada com mais de 60 vetos presidenciais e projetos orçamentários, deputados e senadores aguardam um possível avanço na instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar fraudes milionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Embora o requerimento de criação da CPMI já tenha superado o número mínimo de assinaturas — mais de um terço da Câmara e do Senado —, sua efetiva instalação depende exclusivamente da leitura do pedido em Plenário pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Sem essa leitura, a comissão não pode ser formalmente criada, conforme estabelece o regimento interno das Casas Legislativas.

Protocolado em 12 de maio, o pedido da CPMI busca apurar desvios bilionários identificados por investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), que revelaram um esquema de cobranças indevidas de mensalidades e descontos não autorizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. Os prejuízos calculados somam aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

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Pressão política e clima de expectativa

A criação da CPMI ganhou força após denúncias ganharem visibilidade nacional ao exporem convênios entre o INSS e associações de aposentados, com descontos automáticos e supostamente não autorizados. A oposição tem pressionado o presidente do Senado a fazer a leitura do requerimento o quanto antes, enquanto setores da base governista demonstram cautela quanto ao impacto da comissão sobre a agenda do Executivo.

Apesar do direito à criação da CPMI estar assegurado constitucionalmente com o número mínimo de assinaturas, o controle da pauta do Plenário confere a Davi Alcolumbre a prerrogativa de definir o momento exato da leitura do requerimento — etapa indispensável para o início oficial dos trabalhos.

Sessão do Congresso tem 60 vetos em pauta

Enquanto isso, o Congresso enfrenta uma extensa pauta legislativa. Entre os vetos a serem analisados, destaca-se o que barrou integralmente o projeto que previa pensão vitalícia de R$ 7.786,02 para crianças com deficiência causada pelo vírus Zika (Veto 2/2025). O governo justificou o veto por falta de previsão orçamentária, mas já indicou acordo para sua derrubada, segundo o líder do governo, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).

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Outros vetos relevantes na pauta incluem:

  • Suspensão de dívidas rurais de agricultores afetados por secas e enchentes;
  • Inclusão de nomes de pedófilos no Cadastro Nacional de Predadores Sexuais;
  • Recursos do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC);
  • Incentivos fiscais à indústria de semicondutores;
  • Bloqueio de emendas parlamentares obrigatórias.

Além dos vetos, projetos ligados à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e ao pacote de corte de gastos também devem ser apreciados.

Fraudes sistêmicas no INSS geram indignação

O caso que motivou o pedido de CPMI expôs um esquema complexo, com autorizações supostamente forjadas que permitiram descontos indevidos em benefícios. A PF e a CGU identificaram servidores públicos, intermediários privados e entidades envolvidas, com indícios de corrupção ativa e passiva.

Especialistas apontam que o esquema aproveitou a vulnerabilidade dos controles internos do INSS e a fragilidade dos segurados — especialmente idosos —, muitos dos quais sequer sabiam dos descontos sofridos.

Com a leitura do requerimento, a CPMI poderá ser instalada com plenos poderes de investigação, incluindo convocações, quebras de sigilo e acareações.

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