Menu

ECONOMIAIndicadores econômicos apontam deterioração fiscal, oposto do que disse ministro

Declaração de Durigan sobre melhora fiscal é desmentida por dados oficiais de dívida e déficit.

publicidade

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista que o próximo presidente herdará contas públicas em situação superior à encontrada pelo governo Lula em 2023. Entretanto, indicadores oficiais revelam um cenário divergente do discurso.

Dados do Banco Central, da Instituição Fiscal Independente (IFI) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram piora nos principais parâmetros fiscais. A seguir, cinco pontos que contrastam com a declaração do ministro.

A dívida bruta do governo geral fechou 2022 em 73,5% do PIB, menor nível em cinco anos. Em maio de 2026, o mesmo indicador alcançou 81,1% do PIB, alta de 7,6 pontos percentuais.

A IFI projeta que a dívida pode chegar a 115% do PIB em 2036, caso não haja ajuste fiscal consistente. O aumento ocorre apesar de receitas recordes.

As contas públicas registraram superávit primário de 1,28% do PIB em 2022, trajetória de melhora desde 2017. Agora, o resultado primário acumulado em 12 meses está negativo em 1,14% do PIB.

Considerando os juros da dívida, o déficit nominal chegou a R$ 1,26 trilhão, equivalentes a 9,62% do PIB. O rombo nominal é o maior da série histórica.

Leia Também:  PF apreende arma, R$ 40 mil e criptomoedas em operação contra pai de Daniel Vorcaro

O governo cumpriu a meta de déficit zero em 2024 e 2025, mas excluiu despesas como indenizações por enchentes e compensações tarifárias, somando cerca de R$ 400 bilhões.

O Tribunal de Contas da União questionou a estratégia de mirar o piso da banda de tolerância. A IFI avalia que o cumprimento formal não representa melhora fiscal, pois os gastos primários crescem acima de 5% ao ano.

O FMI projeta que a dívida bruta brasileira atingirá 97,8% do PIB neste ano, ultrapassará 100% em 2027 e chegará a 105,3% em 2031, estabilizando-se perto de 106% apenas em 2035.

Um dia após o alerta do FMI, Durigan reafirmou o compromisso com o ajuste fiscal, indicando que a equipe econômica reconhece internamente a pressão sobre a dívida.

As despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e pisos de saúde e educação, crescem em ritmo superior à arrecadação. A IFI prevê que os gastos primários subam de 19,2% para 19,9% do PIB até 2032.

No mesmo período, a receita primária líquida deve cair de 18,9% para 18,3% do PIB. Esse descompasso tende a gerar déficits primários recorrentes na próxima década.

Leia Também:  STJ concede 15 dias para Zema responder por calúnia contra Gilmar Mendes

O envelhecimento da população e a rigidez orçamentária ampliam o desafio fiscal. Medidas de contenção de gastos são necessárias para evitar trajetória insustentável.

A declaração de Durigan contrasta com o conjunto de dados oficiais, que indicam deterioração das contas públicas desde 2023. As projeções de órgãos independentes reforçam a necessidade de um ajuste fiscal mais robusto.

Fonte: ND+

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade