O governo do Acre participou, nesta terça-feira (23), da palestra “O super El Niño e os riscos para a Amazônia acreana”, realizada no Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE), em Rio Branco. O evento reuniu servidores do TCE, Ministério Público de Contas, órgãos estaduais e municipais, além de representantes da sociedade civil, para discutir os impactos do fenômeno climático e as estratégias de prevenção adotadas pelo Estado.
Durante a programação, a bióloga e doutora em Ciências da Engenharia Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), Vera Reis Brown, abordou os efeitos do El Niño sobre a Amazônia, especialmente na região sudoeste, onde o Acre está inserido. A especialista destacou que o fenômeno tende a reduzir o volume de chuvas, elevar as temperaturas e prolongar os períodos de estiagem, aumentando o risco de queimadas, incêndios florestais e escassez hídrica.
Representando o governo estavam o presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), André Hassem, a presidente do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Jakislande Lima, o comandante do Corpo de Bombeiros do Acre (CBMAC), coronel Charles Santos, e o coordenador da Rede de Alertas da Defesa Civil Estadual (Comdec), coronel James Gomes. Na ocasião, Hassem entregou à presidente do TCE, Dulce Benício de Araújo, o panorama climático do instituto para 2026/2027 e as ações implementadas para minimizar os impactos da seca severa prevista para os próximos meses. O documento foi elaborado pelo chefe da Divisão de Inteligência e Monitoramento Ambiental do Imac (Dima), Saine Leonam Kador Fortes, que detalhou o planejamento operacional da autarquia e os investimentos em inteligência ambiental.
Hassem destacou que a atuação da autarquia está voltada para a prevenção e para o fortalecimento da capacidade de resposta do Estado diante do cenário climático previsto. “Estamos trabalhando de forma antecipada e integrada para minimizar os impactos do super El Niño no Acre. Nossas ações prioritárias incluem o monitoramento ambiental em tempo real, a intensificação das fiscalizações, o combate ao desmatamento e às queimadas, além do fortalecimento das parcerias com os órgãos de segurança e demais instituições”, afirmou.
De acordo com os dados apresentados, o El Niño já está em formação e foi confirmado por órgãos nacionais e internacionais, com fortalecimento previsto para o segundo semestre deste ano. A probabilidade de ocorrência do fenômeno entre junho e agosto varia entre 80% e 90%, enquanto as projeções indicam 99,4% de chance de um evento forte entre julho e setembro. A pesquisadora destacou a necessidade de ampliar discussões sobre eventos climáticos extremos para subsidiar políticas públicas de conservação da Amazônia e mecanismos de adaptação.
As previsões apontam ainda que o pico do fenômeno deve ocorrer entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, podendo atingir intensidade comparável aos episódios mais severos já registrados, conhecidos como “super El Niño”. Segundo o Imac, o Acre está entre as áreas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam a possibilidade de até seis meses de prolongamento da estiagem na porção sudoeste da Amazônia, abrangendo Acre, Rondônia e parte do Amazonas.
Para enfrentar esse cenário, o governo do Estado estruturou uma resposta baseada em cinco frentes integradas: planejamento operacional, cooperação interinstitucional, embargo remoto, sistema de monitoramento e fortalecimento da Divisão de Inteligência e Monitoramento Ambiental. Entre as ações já executadas em 2026, o Imac registrou 95 autos de infração, aplicou R$ 7,16 milhões em multas e embargou 548 hectares de áreas irregulares. As operações de fiscalização e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais têm priorizado as regionais do Juruá, Tarauacá-Envira, Purus, Baixo Acre e Alto Acre, consideradas áreas de maior pressão ambiental.
Fonte: Agência de Notícias do Acre





























