O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão se enfrentar no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a apuração de 96,78% das urnas. Flávio obteve 54.761.247 votos, enquanto Lula alcançou 51.473.436, uma diferença de 3.287.811 votos.
Esse é o menor intervalo entre o primeiro e o segundo colocado desde a redemocratização, superando a eleição de 2022, quando Lula e Jair Bolsonaro (PL) ficaram separados por 6,1 milhões de votos. O senador também liderou uma onda de vitórias da direita nos governos estaduais e nas cadeiras do Congresso Nacional.
O movimento de voto útil na reta final da campanha beneficiou Flávio Bolsonaro, segundo as principais pesquisas. Há duas semanas, em 24 de setembro, o senador tinha 36% das intenções de voto no Datafolha; neste domingo, atingiu 47,48% dos votos válidos até as 21h. Lula, que registrava 40% no mesmo levantamento, terminou com 44,63% dos votos válidos.
A pesquisa Datafolha da véspera da eleição já indicava uma aproximação entre os dois candidatos. Lula aparecia com 42% dos votos totais, contra 40% de Flávio. Considerando apenas os votos válidos, o presidente tinha 45% e o senador, 42%.
O segundo turno será realizado em 25 de outubro. Os dois candidatos terão três semanas para conquistar o eleitorado que votou nos demais candidatos e também os mais de 32 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro leva vantagem porque a maioria dos candidatos derrotados está ideologicamente mais próxima da direita. A campanha do senador espera obter o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Os bolsonaristas também buscam atrair os eleitores de Renan Santos (Missão), embora o líder do MBL não deva apoiá-lo publicamente no segundo turno.
Lula, por outro lado, precisará encontrar alternativas para se aproximar desse eleitorado, já que os candidatos derrotados no primeiro turno são mais identificados com o bolsonarismo do que com o PT. O presidente também conta com a máquina pública a seu favor nesta fase final.
As apostas de Flávio incluem a ênfase em pautas populares, gestos para os eleitores da terceira via e a busca de reforço político, tanto de aliados nos Estados quanto de adversários que foram derrotados na disputa presidencial. O senador chegou ao primeiro turno sem coligações ou apoios formais de outros partidos. Ele espera contar com o suporte de Caiado, Cury e Zema, inclusive em seus palanques. Renan Santos já anunciou que não deve endossá-lo.
Flávio também deve procurar PP, União Brasil e Republicanos para negociar apoio. As três siglas optaram pela neutralidade no primeiro turno, mas avaliarão um possível endosso nos próximos dias.
Segundo articuladores, Flávio Bolsonaro deve manter a estratégia de explorar a corrupção, não pelo Mensalão ou pelo Petrolão, mas por uma figura mais familiar: Lulinha, filho do presidente Lula, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores de fraudes em aposentadorias e pensões.
A campanha de Lula terá de se reconstruir para superar o favoritismo de Flávio Bolsonaro no segundo turno e reorganizar sua militância após a frustração com o resultado das urnas neste domingo. O primeiro passo será a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1, pautada para esta terça-feira, 6, no plenário do Senado. Os petistas contam com a PEC para intensificar a disputa entre pobres e ricos na eleição.
Conforme mostrou o Broadcast Político, o clima no comando da campanha petista neste domingo era de preocupação e frustração com o resultado. Lula liderava todas as principais pesquisas publicadas até a reta final, e os trackings contratados pela campanha não identificaram o movimento pró-Flávio.
O PT trabalhará para impedir que partidos do Centrão declarem apoio público a Flávio nas próximas duas semanas. Esse tipo de adesão não alteraria o tempo de TV, mas os petistas temem que a campanha do senador transmita uma imagem de união.
Além disso, a campanha de Lula buscará mobilizar os eleitores que se abstiveram ou votaram em branco ou nulo, que somam mais de 32 milhões, para reverter a desvantagem. A expectativa é de que os debates e a propaganda eleitoral gratuita, que recomeçam nesta semana, sejam decisivos para conquistar os indecisos.
Flávio, por sua vez, tentará manter o ritmo da campanha vitoriosa no primeiro turno, com foco em eventos públicos e nas redes sociais, enquanto negocia alianças com os partidos de centro-direita. A definição dos apoios deve ocorrer até o início da próxima semana.
Fonte: Jovem Pan




























