A Medida Provisória 1.303/2025 — apelidada de “MP alternativa ao IOF” — perdeu validade à meia-noite de quinta-feira (9), após ser retirada de pauta na Câmara dos Deputados com ampla maioria: 251 votos a favor da retirada e 193 contrários. O episódio marca mais um revés político do governo Lula (PT), que tenta manter a narrativa de estabilidade econômica mesmo diante do evidente descontrole fiscal e da perda de confiança no Congresso.
💸 Com o fim da MP, o governo deixará de arrecadar cerca de R$ 31,4 bilhões entre 2025 e 2026, conforme estimativas da própria equipe econômica. A medida havia sido criada para compensar a suspensão do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) — um dos muitos mecanismos que Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vêm tentando adotar para tapar buracos criados pela expansão de gastos e programas populistas.
🧾 “Sabotagem” ou incompetência administrativa?
Sem conseguir articulação política nem entre aliados, o Planalto fracassou em construir maioria. Mesmo com a mobilização de ministros e líderes partidários, o prazo regimental venceu, e a MP caducou antes de ser votada.
Em tom de irritação, Fernando Haddad culpou “grupos que atuam para sabotar o país” pela derrota — um discurso que ecoa o padrão petista de terceirizar responsabilidades e atacar o Congresso sempre que suas medidas intervencionistas não prosperam.
Nos bastidores, parlamentares da base reconheceram que a falta de diálogo e a pressão por aumento de impostos tornaram insustentável a defesa da MP. Deputados relataram que a proposta “não tinha clima” nem entre governistas, sobretudo pela ausência de compensações reais e pela crescente desconfiança nas projeções da Fazenda.
📉 Rombo e desgaste crescem
Com o insucesso, a equipe econômica admite a necessidade de replanejar o orçamento, com novos cortes e congelamentos de despesas. O vácuo fiscal amplia a percepção de fragilidade do governo, que enfrenta queda de arrecadação, resistência parlamentar e inflação de expectativas.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto tenta reverter a narrativa, alegando que a medida buscava restabelecer receitas perdidas por decisões do Legislativo e do Judiciário. Na prática, o episódio confirma o enfraquecimento político de Lula no Congresso, cada vez mais dependente de acordos de ocasião e da liberação de emendas para manter sua base.
🇧🇷 Um governo acuado entre promessas e realidade
A derrota da MP 1.303/2025 é mais que um tropeço técnico: é o retrato de um governo que tenta sustentar uma agenda estatizante com instrumentos fiscais exauridos. Em vez de enxugar gastos e promover o livre mercado, o Planalto insiste em políticas de controle e arrecadação forçada — com resultados cada vez piores.
Num cenário de desconfiança política, déficit crescente e perda de credibilidade, o Brasil volta a pagar o preço de um modelo que promete igualdade, mas entrega ineficiência.
Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações de Danúzio News / Poder360































