Uma formação natural que parece saída de um filme de terror continua a intrigar pesquisadores e aventureiros na Antártida. A chamada Blood Falls, ou Cachoeira de Sangue, chama atenção por sua cor avermelhada intensa, mas um estudo recente esclareceu que a origem da tonalidade é bem menos sinistra do que se pensava.
Localizada nos Vales Secos de McMurdo, uma das áreas mais hostis do planeta, a cachoeira brota da Geleira Taylor e desce por fendas no gelo. Por muitos anos, os cientistas se perguntavam como a água podia fluir em um lugar onde a temperatura média é de cerca de 17 graus Celsius negativos.
A solução veio com o emprego de radares que conseguem enxergar abaixo da superfície glacial. As imagens obtidas revelaram uma vasta rede de rios subterrâneos e um lago escondido sob o gelo, todos abastecidos por uma salmoura com elevadíssimo teor de ferro.
Ao contrário do que o nome popular sugere, a água não contém sangue nem algas vermelhas, hipótese que chegou a ser considerada no passado. A cor avermelhada é consequência da grande quantidade de ferro presente na água salgada, que oxida ao entrar em contato com o oxigênio atmosférico.
Os pesquisadores também determinaram por que essa água consegue se manter líquida em condições tão extremas. De acordo com o estudo, a salmoura permanece em estado líquido nos ambientes subglaciais e intraglaciais graças ao calor latente do congelamento combinado com um alto teor de sal.
O lago submerso sob a geleira tem uma concentração de sal muito superior à da água do mar comum. Como a água salgada congela em temperaturas mais baixas e libera calor durante o processo de solidificação, ela consegue derreter parte do gelo ao redor e manter o fluxo dos rios subterrâneos.
As medições feitas pela equipe ainda mostraram que a quantidade de salmoura rica em ferro aumenta conforme a água se aproxima da cachoeira. Fendas de diferentes tamanhos permitem a entrada dessa água salgada no interior da geleira, formando um sistema natural complexo que permanece ativo mesmo em um dos lugares mais frios da Terra.
O resultado é uma das paisagens mais curiosas do mundo: uma cascata vermelha que parece desafiar as leis da natureza e que continua ajudando cientistas a entender melhor os ambientes extremos da Antártida.
Fonte: Danúzio News






























