💸 O panorama fiscal: déficits, dívida e pressões
Os números mais recentes deixaram claro que o Brasil não está fora de risco — está em risco crescente.
Segundo o Banco Central do Brasil, o setor público consolidado registrou, em fevereiro de 2025, um déficit primário de R$ 19 bilhões, comparado a R$ 48,7 bilhões no mesmo mês de 2024.
Em maio de 2025, o déficit primário consolidado alcançou R$ 33,7 bilhões, com a dívida líquida do setor público (PSND) atingindo cerca de 62% do PIB.
A dívida bruta do governo geral (GGGD) chegou a aproximadamente 76% do PIB em março de 2025.
Por sua vez, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que as autoridades brasileiras devem “continuar melhorando a posição fiscal, ao mesmo tempo em que lidam com necessidades de gasto social e investimento”.
Esses dados confirmam que o Estado brasileiro está com margens pequenas para eventuais choques — como queda de receita, alta de juros ou pressões externas — e ainda assim opta por manter políticas que ampliam gastos obrigatórios.
🎯 A lógica do gasto eleitoral e dos programas sociais como mecanismo de dependência
Uma característica da atual gestão — e de gestões anteriores de esquerda — é a de ampliar programas sociais sem garantir receitas suficientes ou reformar estruturas de custo. O resultado: uma base de dependência do Estado que se retroalimenta.
O governo busca “ajustes” pontuais, mas não reformas de fundo, o que cria a sensação de que há governança, mas não há sustentabilidade.
Ao mesmo tempo, há recuo nas medidas de contenção estrutural de despesa ou restrição ao crescimento de cargos, estatais e benefícios.
Em março/abril/maio de 2025, embora houvesse melhora pontual no superávit ou no fechamento do mês, boa parte disso decorreu de shifts de calendário (pagamentos judiciais atrasados) e não de melhora estrutural.
Essa estratégia de governo cria dois efeitos: (a) mantém a popularidade no curto prazo, (b) vai empurrando o país para uma espiral de gasto obrigatória que reduz a liberdade orçamentária.
🏢 Estado inchado, estatais deficitárias, cargos e entes públicos em expansão
Não basta apenas os programas sociais. O Estado — em termos de estrutura — também se expande:
As estatais federais já reportavam déficits significativos, o que pressiona ainda mais o tesouro para cobrir perdas. Por exemplo, em 2024, o governo central já convivia com déficit de estatais e órgãos vinculados.
A acumulação de cargos públicos, expansões de gastos com pessoal e benefícios especiais seguem como um padrão pouco questionado no discurso oficial e amplamente legitimado pela mídia — quando esta escolhe não questionar.
O resultado imediato: menos investimento, menor eficiência e mais gasto permanente — ausência de “gastos de capital” reais que impulsionem crescimento.
📰 Impostos altos, novos tributos – e o discurso de que “a crise é externa”
Para sustentar esse modelo, o governo tem recorrido a aumento de arrecadação e a novos impostos, muitas vezes sob o discurso de “é por causa dos bloqueios externos ou da conjuntura global”. Alguns dados importantes:
No primeiro semestre de 2025, a arrecadação federal chegou ao recorde de R$ 1,426 trilhão, um crescimento real de 4,38% sobre igual período do ano anterior.
Mas mesmo com esse crescimento, o governo projeta um déficit primário de R$ 26,3 bilhões para 2025, excluindo cerca de R$ 50 bilhões em precatórios.
Em junho de 2025, foram anunciadas alterações tributárias importantes: aumento de impostos sobre operações financeiras (IOF), regularmente manipuladas, e investimentos.
Abordagens recentes mostram que o governo está estudando “medidas fiscais alternativas” depois que o Congresso vetou parte das propostas de aumento de tributos esperadas para 2025/2026 (estimadas em R$ 14,8 bilhões para 2025 e R$ 36,2 bilhões para 2026) para cumprir meta de déficit zero.
Ou seja: a lógica é clara — “arrecadar mais para gastar mais”, muitas vezes sem cortar o que não funciona ou reformar o que está inchado. E, paralelamente, a narrativa que se vende é que “não podemos mudar agora porque o mundo está difícil”.
🎭 O papel da imprensa, do ativismo e da silenciação de vozes independentes
Uma peça central desse mecanismo é a legitimação da gestão e do modelo por parte da imprensa majoritária e da mídia alinhada ao governo. Por outro lado, jornalistas independentes que investigam o gasto público, a real situação das estatais, a expansão de cargos, ou questionam programas sem resultado, têm encontrado resistência, silenciação ou marginalização.
Quando a imprensa vende a ideia de que “tudo está sob controle” ou que “a crise é motivada apenas por fatores externos”, ela está colaborando para manter a ilusão de normalidade.
Essa cooperação indireta entre poder econômico-político e mídia cria ambiente no qual o debate fiscal profundo — sobre custo do Estado, privilégios, reformas, eficiência — é relegado à periferia.
Dessa forma, os factóides políticos ganham espaço: perseguição a lideranças conservadoras, disputas de narrativa, ativismo judicial e midiático, enquanto os problemas reais do orçamento se agravam silenciosamente.
🧮 A hora da verdade: consequências para a população e para a liberdade
O que tudo isso significa para o cidadão comum e para a liberdade do país?
- Primeiro, menor margem para investimento público de verdade — infraestrutura, saúde, educação de qualidade ficam em segundo plano enquanto cresce o gasto previdenciário, assistencial e de custeio.
- Segundo, menos liberdade econômica — para sustentar o modelo, impostos podem subir, empresas estatais são usadas como instrumento de política, o setor privado sofre com maiores encargos e menos dinamismo.
- Terceiro, vulnerabilidade ao cenário externo — endividamento elevado, dependência de arrecadação volátil e estrutura de gastos rígida tornam o país mais suscetível a choques.
Por fim, o risco de captura da esfera pública por narrativas ideológicas: o Estado passa a depender de eleitores dependentes, a imprensa que alveja a oposição impede contestação, e a economia fica em plano secundário.
🔍 Precisamos de reforma antes que o Estado reforme a liberdade
O Brasil está diante de uma escolha clara. Ou se opta por uma agenda de responsabilidade fiscal, estado mínimo, eficiência pública, liberdade econômica e transparência, ou se continua no ciclo de gasto elevado, tributação crescente, estado inchado e dependente — até que a crise exploda por si mesma.
O modelo parece já ter escolhido o caminho mais fácil: o da manutenção política imediata em detrimento da sustentabilidade futura.
Mas quando a dívida, os juros e os déficits se tornam incontroláveis, quem pagará a conta será a sociedade — sob restrições, impostos maiores, menos oportunidades e menos liberdade.
👉 A direita conservadora precisa não apenas denunciar este modelo — precisa apresentar uma alternativa: menos Estado, mais mercado, mais liberdade, mais responsabilidade.
Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações de Banco Central / Reuters / IMF




























