Ontem (19), o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), oficializou sua pré-candidatura ao Governo do Acre, durante evento que reuniu lideranças empresariais, representantes do agronegócio, o vice-prefeito, vereadores e apoiadores políticos.
Embora já desse sinais públicos de que entraria na disputa, esta foi a primeira confirmação formal de Bocalom como pré-candidato, movimento que altera significativamente o cenário eleitoral de 2026 e reposiciona forças dentro do campo conservador no Estado.
Até então, apenas Alan Rick (Republicanos), Mailza Assis (PP) e Thor Dantas (PSB) eram considerados nomes oficialmente colocados na disputa. Com a entrada de Bocalom, o jogo muda: a eleição se torna mais competitiva, mais clara ideologicamente e com forte predominância da centro-direita e da direita.
📊 Pesquisas eleitorais: o que dizem os números no Acre
As últimas pesquisas divulgadas no Estado, realizadas por institutos como Real Time Big Data e veículos locais, indicam um cenário relativamente estável até aqui:
- Alan Rick aparece na liderança, com percentuais variando entre 34% e 38%, dependendo do cenário;
- Tião Bocalom surge consistentemente em segundo lugar, oscilando entre 22% e 26%, com forte desempenho entre eleitores conservadores;
- Mailza Assis figura em terceiro, com índices entre 12% e 15%, ainda enfrentando alto desconhecimento popular;
- Thor Dantas, representante do campo socialista, aparece com 4% a 7%, refletindo o encolhimento da esquerda no Acre.
📌 Dado relevante: mesmo antes de oficializar sua pré-candidatura, Bocalom já figurava como o principal nome da direita consolidada, enquanto Alan Rick lidera pela fragmentação do campo conservador, não por hegemonia ideológica.
⚖️ Um eleitorado dividido e uma esquerda isolada
A eleição de 2026, com a configuração atual, aponta para uma divisão clara do eleitorado de centro-direita e direita, enquanto o campo socialista permanece isolado, restrito a um nicho eleitoral reduzido e cada vez mais distante do sentimento majoritário da população acreana.
Após 20 anos de governos de esquerda, o Acre consolidou uma base eleitoral conservadora, crítica ao estatismo, à militância ideológica e às políticas que travaram o desenvolvimento econômico do Estado.
🔍 Análise dos pré-candidatos
🟦 Alan Rick – Centro Direita
Desafios:
- Isolamento partidário.
- Ele tem poucas perspectivas de composição para a eleição.
- Enfrenta restrições política partidárias por conta de seu comportamento temperamental e explosivo.
- Pode ficar sozinho para a disputa, apenas com a sua chapa de candidatos proporcionais.
- Terá dificuldades de ter chapas proporcionais para defender sua candidatura.
Oportunidades:
- Nunca disputou uma eleição para o Executivo (pode surfar a onda da novidade).
- Tem um gabinete inteiro não comprometido com ninguém (poder de barganha).
- Está na metade de seu mandato de senador e não perde nada se não for eleito pois tem mais quatro anos com assento na Casa Alta.
- Por fim tem se mantido na liderança das pesquisas até aqui.
- Concorrendo ao senado tem a ex-deputada federal Mara Rocha como principal puxadora de votos.
🟨 Mailza Assis – Centro Direita
Desafios:
- Nunca foi votada por nenhum eleitor do Acre.
- É desconhecida da maioria da população.
- Nunca tratou ou manteve reuniões com o núcleo político.
- Não tem histórico político de aproximação com líderes partidários e tem dificuldade de manter um diálogo propositivo com os partidos e seus representantes.
- Não tem experiência de gestão e em suas passagens pelo senado e pelo Governo, sempre foi mais como coadjuvante do que protagonista.
- Estará no cargo de Governadora e terá o ônus da continuidade de uma gestão de oito anos
Oportunidades:
- É a única mulher na disputa pelo Governo, (o que poderia ser uma vantagem).
- Seu maior ponto favorável seria ter como cabo eleitoral o Governador Gladson Camelli, a quem ela deve todos os cargos que ocupou em sua curta carreira política.
🟩 Tião Bocalom – Direita
Desafios:
- Entre os principais candidatos (é sempre o segundo nas pesquisas já publicadas) é o que tem a maior rejeição (principalmente em Rio Branco).
- Tem idade avançada o que pode ser um desafio entre os eleitores mais jovens que tendem a rejeitar candidatos “tarimbados”.
- Há uma mística de que nas últimas eleições prefeitos da capital não conseguem vencer a eleição para governador (sensação de abandono dos eleitores).
- Também terá dificuldades para fazer composições por vontade dos partidos (sem contrapartida).
Oportunidades:
- Tem experiência na gestão pública (foi prefeito de Acrelândia e de Rio Branco).
- É o nome forte da direita e tem proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (e sua família).
- Ao mostrar resultados de suas gestões pode apresentar evidências de uma gestão efetiva.
- Disputo muitas eleições (sempre foi a resistência à extrema-esquerda que governou o Acre por 20 anos) o que lhe proposcinoa memória eleitoral.
- Está consolidado no público conservador; tem apoio de empresários fortes do agronegócio acreano.
🟥 Thor Dantas
Desafios:
- Representa o espectro da extrema-esquerda que governou o Acre por duas décadas e deixou muitas cicatrizes políticas do “Vianismo” e herda um esvaziamento eleitoral.
- Poderá ter que carregar Jorge Viana a tiracolo, como candidato ao Senado (que traz consigo uma rejeição gigantesca).
- Dificuldades de composição de chapas proporcionais.
Oportunidades:
- É médico e nunca disputou uma eleição, ou ocupou cargos públicos.
- Politicamente tem o nome limpo e pode esconder o passado petista do grupo que representa (vai usar o 40 e não o 13).
- Pode vender a ideia de mudança e renovação política.
🔮 Cenário provável: segundo turno entre candidatos da direita
Se o cenário atual se mantiver, a eleição de 2026 caminha para um segundo turno entre dois nomes do campo conservador. A esquerda, enfraquecida e sem capilaridade, tende a atuar apenas como coadjuvante.
O fator decisivo não será apenas o desempenho nas urnas, mas:
- Capacidade de diálogo pós-primeiro turno;
- Grau de maturidade política entre adversários do mesmo campo;
- Quem oferecer mais espaço, garantias e protagonismo ao derrotado.
👀 Quem será o beneficiado? Aquele que brigar menos com um opositor do mesmo campo político e o vencedor será quem puder oferecer mais ao derrotado (barganha). Isso tem cheiro de traição, após o resultado das urnas.
Redação | Portal Acre Conservador



























