Em um cenário de crescente tensão na Praça dos Três Poderes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), declarou nesta quarta-feira (6) que “não tem o que esperar do governo”. Questionado por jornalistas sobre suas expectativas em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alcolumbre foi taxativo: “Tenho que esperar alguma coisa? Não tenho o que esperar”.
A relação entre Lula e Alcolumbre deteriorou-se significativamente após a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador defendia a tese de que deveria ter influência no processo, preferindo o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
O ponto alto do desentendimento foi a rejeição de Messias no plenário do Senado, com uma margem de sete votos a menos do que os 41 necessários para aprovação. A articulação que derrubou a indicação reuniu bolsonaristas, liderados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o próprio presidente do Senado, que atuaram ativamente para consolidar a derrota do governo.
Apesar do atrito, o Executivo busca uma reaproximação com Alcolumbre, especialmente considerando a possibilidade de indicar um novo nome para o Supremo ainda no atual governo. A CNN revelou que Lula planeja se reunir com o senador amapaense na próxima semana, mas, antes, escalou dois integrantes da Esplanada dos Ministérios para retomar o diálogo: José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e José Múcio Monteiro (Defesa).
Os dois ministros se reuniram na manhã de terça-feira (5) na residência oficial do Senado. Segundo interlocutores de ambos relataram à CNN, o encontro abordou possíveis gestos a serem feitos por ambos os lados para distensionar o ambiente político entre o Palácio do Planalto e o Senado. O presidente Lula havia se reunido com Múcio na véspera e foi informado sobre o encontro.
Na manhã desta quarta-feira, um evento de celebração dos 200 anos da Câmara dos Deputados, no plenário Ulysses Guimarães, contou com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Edson Fachin. No entanto, o presidente Lula optou por não comparecer à sessão solene, preferindo participar de um evento no Planalto para receber as cartas credenciais de sete embaixadores que iniciarão suas atividades no Brasil.
Fonte: CNN Brasil






























