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HÁ 20 ANOS O PT AFUNDA O BRASILPlano de Lula para 2026 repete promessas e aposta no mais do mesmo

Programa de governo apresentado pelo PT mistura propostas antigas e atuais, com foco em dar sequência às políticas do mandato em vigor. Ou seja: Afundar o Brasil de vez.

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O programa de governo divulgado pelo PT para a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2026 é apresentado como um projeto de “transformação do Brasil” e aposta na ideia de um “verdadeiro novo”. No entanto, a promessa de renovação contrasta com o histórico do petista e com o próprio teor do documento, que resgata medidas já previstas na campanha de 2022 e indica a manutenção de ações do governo atual.

Lula busca um quarto mandato, tendo ocupado o Palácio do Planalto por três vezes — duas entre 2003 e 2010 e a atual, iniciada em 2023. Caso vença o pleito de outubro, poderá permanecer no cargo até 2030. Antes disso, o partido também governou o país com Dilma Rousseff, que cumpriu um mandato completo e parte do segundo, interrompido pelo impeachment em 2016.

Ainda assim, o texto utiliza a noção de ineditismo para definir um eventual novo governo. A expressão “verdadeiro novo” aparece na apresentação política do projeto, que também fala em “transformação”. O discurso, porém, é construído sobre uma gestão em andamento e sobre políticas que o próprio plano promete manter ou ampliar. Em vez de trazer apenas inovações, o documento faz um balanço das ações adotadas desde 2023 e sugere o aprofundamento delas num próximo mandato.

Essa lógica se repete em áreas como proteção social, trabalho, economia e habitação. Programas e medidas implementados ou retomados no atual governo são colocados como ponto de partida para uma nova fase. Assim, o “novo” proposto não significa uma mudança de direção, mas a continuidade e a expansão do que já está sendo executado.

Um exemplo claro de repetição está na segurança pública. O plano de 2026 retoma a criação de um Ministério da Segurança Pública, desmembrado do Ministério da Justiça, com a transferência da Polícia Federal para a nova estrutura. A proposta, no entanto, não é inédita: já constava no programa de 2022 e nunca saiu do papel. O mandato atual terminou sem que o ministério fosse criado, e agora a mesma medida volta como compromisso para um eventual novo período.

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Essa repetição lança dúvidas sobre a ideia de novidade apresentada no documento. Uma proposta que não foi implementada no mandato atual reaparece como promessa eleitoral para o seguinte. No campo trabalhista, o PT reafirma a defesa do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. O texto afirma que o governo pretende manter articulações com o Senado para viabilizar a medida, que ainda depende de aprovação no Congresso. A proposta já passou pela Câmara, mas segue sem acordo no Senado.

O mesmo padrão aparece em outras áreas, onde o programa prevê continuidade, aperfeiçoamento e ampliação de políticas existentes. O documento também dedica espaço para defender conquistas do governo iniciado em 2023, como a retomada de programas sociais, a valorização do salário mínimo, ações de habitação e medidas econômicas. Ao mesmo tempo, promete aprofundar essas iniciativas.

A contradição está justamente nessa combinação: o PT tenta apresentar um eventual quarto mandato como um novo ciclo, mas usa como justificativa para essa novidade aquilo que já foi feito no terceiro mandato de Lula. O documento funciona, portanto, em duas frentes: expõe propostas para os próximos quatro anos e, simultaneamente, faz uma defesa do governo em exercício.

Outro ponto de contraste é a relação com o Congresso Nacional, marcada por conflitos constantes sobre as emendas parlamentares. O programa classifica o modelo atual como uma “grave distorção na elaboração e gestão do orçamento federal” e promete enfrentar o problema. Contudo, a crítica é feita por uma gestão que passou os últimos anos negociando com o Legislativo a execução das emendas e a liberação de recursos. O texto sugere mudanças na dinâmica para um futuro mandato, sem apresentar uma ruptura completa com a política adotada até agora.

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A palavra “soberania” aparece 30 vezes no plano, ganhando destaque num momento de crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após as tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros. O programa afirma que o país deverá se opor a qualquer tentativa de subordinação a interesses estrangeiros e defende maior autonomia estratégica. O tema, assim, é incorporado à identidade do eventual novo governo, embora esteja diretamente ligado a uma tensão internacional que se agravou no mandato atual.

Assim, o plano apresentado por Lula para 2026 reforça a imagem de um projeto que busca consolidar o que já foi feito, mais do que inaugurar um novo ciclo. A repetição de promessas não cumpridas e a ênfase na continuidade indicam que a estratégia do PT é transformar a experiência de governo em principal trunfo eleitoral, mesmo que o discurso oficial fale em renovação.

Especialistas apontam que a utilização do termo “novo” pode ser vista como uma tentativa de atrair eleitores que desejam mudanças, mas que a ausência de propostas efetivamente inéditas pode gerar questionamentos durante a campanha. A oposição já sinaliza que usará o documento para criticar a falta de novidades e apontar contradições entre o discurso e a prática.

No cenário político, a avaliação é de que o programa serve para consolidar a base de apoio e reforçar a narrativa de que o país precisa de estabilidade para dar sequência às políticas em andamento. Resta saber se os eleitores verão nisso uma vantagem ou um sinal de esgotamento do projeto petista.

Fonte: ND+

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