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DESCOBERTAEstudante baiano usa erva-doce contra fungo do café e conquista prêmio nos EUA

Pesquisa de aluno de 17 anos reduz contaminação em grãos de café e supera fungicida sintético.

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Um jovem pesquisador da Bahia pode ter encontrado uma solução natural e barata para um dos maiores problemas da cafeicultura: o fungo que estraga os grãos após a colheita. Kenisson Morais Brito, de 17 anos, desenvolveu um extrato de erva-doce que se mostrou mais eficaz que o fungicida tradicional e custa menos de um quarto do preço.

O projeto, batizado de AnisGuard, foi apresentado na Regeneron ISEF, a maior feira de ciências pré-universitária do mundo, realizada em Phoenix, nos Estados Unidos. Lá, o estudante conquistou o 4º lugar na categoria Ciências das Plantas, um feito notável para um aluno de escola técnica do interior do Brasil.

O trabalho começou no laboratório da Escola Sesi Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista, na Bahia. Kenisson passava as tardes testando extratos vegetais contra o Penicillium spp., um fungo que compromete a qualidade dos grãos de café, altera o sabor e pode até inviabilizar a exportação de lotes inteiros.

Os testes em laboratório mostraram que o extrato de erva-doce reduz a carga fúngica em até 83,8%, superando o desempenho do fungicida sintético usado como referência no estudo. Além disso, o custo do tratamento natural é até 4,3 vezes menor, o que pode torná-lo acessível a pequenos e médios produtores.

A erva-doce contém compostos como anetol e estragol, conhecidos por suas propriedades antimicrobianas. Eles atacam a membrana celular do fungo e interferem em seu metabolismo, dificultando a reprodução. O fungicida sintético age de forma mais específica, o que pode levar ao desenvolvimento de resistência pelo patógeno ao longo do tempo.

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Uma das grandes vantagens do AnisGuard é justamente sua composição complexa. Por ter múltiplos compostos ativos, o risco de o fungo criar resistência é menor. Isso foi um dos pontos destacados na apresentação internacional, que detalhou a diversidade de mecanismos de ação da solução natural.

Além da eficácia e do custo, o projeto tem um apelo sustentável. Os resíduos do processo de extração podem ser reaproveitados como nutrientes para o solo, fechando um ciclo ecológico dentro da propriedade rural. Isso agrega valor ao produto e reduz o impacto ambiental.

O caminho até a ISEF começou na Febrace, a Feira Brasileira de Ciência e Engenharia, realizada em março de 2026 na Universidade de São Paulo. Kenisson foi premiado e selecionado para representar o Brasil na competição internacional, que reuniu cerca de 1.600 estudantes de 60 países.

Dos 21 jovens brasileiros que participaram, nove voltaram com prêmios. O estudante baiano trouxe o 4º lugar na categoria Ciências das Plantas, acompanhado de um prêmio de US$ 600. A ISEF é considerada a maior competição pré-universitária de ciências e engenharia do mundo, com mais de 70 anos de história.

Para chegar lá, Kenisson contou com a orientação de professores da escola Sesi e com o apoio de um ambiente que estimula a pesquisa. Mas ele também precisou de muita dedicação. Enquanto outros jovens pensavam em lazer, ele estava no laboratório, testando hipóteses e analisando resultados.

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Apesar do sucesso, o projeto ainda precisa de validação em condições reais de cultivo. Testes em campo, com volumes maiores de grãos e diferentes condições de armazenamento, são os próximos passos para confirmar a eficácia do extrato. Também será necessário obter aprovação de órgãos reguladores, como o Ministério da Agricultura e a Anvisa, antes de um uso comercial.

Ainda assim, os resultados preliminares são animadores. Se confirmados, o AnisGuard pode se tornar uma ferramenta valiosa para cafeicultores, especialmente os que têm dificuldade de acesso a fungicidas químicos por causa do preço. A combinação de eficácia, baixo custo e apelo ambiental faz da erva-doce uma alternativa promissora.

A história de Kenisson é um exemplo de que ciência de qualidade pode ser feita em qualquer lugar, com criatividade e persistência. Não depende de grandes orçamentos, mas de observação, método e dedicação. O estudante prova que talento não tem endereço.

Para os jovens que se interessam por ciência e moram longe dos grandes centros, a mensagem é clara: participem de feiras como a Febrace e a Mostratec, que são portas de entrada para o mundo da pesquisa. Quem sabe a próxima grande descoberta não começa com uma simples erva-doce?

Fonte: O Antagonista

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