A busca por fontes energéticas mais limpas impulsiona o biometano como protagonista na transformação da matriz bioenergética. Derivado do biogás, esse combustível renovável vem substituindo derivados de petróleo em operações de transporte de carga, logística agrícola e atividades do campo.
Com capacidade de diminuir a poluição e reutilizar materiais descartados pela própria indústria, o biometano se apresenta como uma ferramenta relevante para usinas que desejam melhorar seu desempenho operacional e cumprir metas ambientais.
O assunto será abordado na FenaBio, evento marcado para os dias 12 e 13 de agosto, integrando a 32ª edição da Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP). O encontro reunirá profissionais, empresas e lideranças para debater as possibilidades, dificuldades e progressos ligados a esse energético renovável.
Na prática, o biometano é obtido após a purificação do biogás gerado por matéria orgânica, como vinhaça, sobras agrícolas e efluentes industriais.
Ao contrário dos combustíveis fósseis, que exigem a exploração de recursos não renováveis, o biometano utiliza materiais já presentes nas cadeias produtivas, estabelecendo um ciclo de economia circular.
No segmento sucroenergético, essa particularidade gera uma vantagem extra: converter resíduos da própria atividade em energia que pode ser reinserida no processo produtivo.
Embora o Brasil se destaque mundialmente na geração de energia limpa, boa parte das operações agrícolas e de transporte ainda depende do diesel.
Veículos de carga, tratores e equipamentos para plantio e colheita estão entre os maiores consumidores de combustíveis fósseis.
Nesse contexto, o biometano surge como opção para diminuir a emissão de gases poluentes e tornar as atividades mais sustentáveis.
Além do ganho ecológico, seu uso pode proporcionar maior independência energética às empresas, sobretudo em áreas produtoras que dispõem de matéria-prima para a geração de biogás.
Um caso concreto de aplicação do combustível renovável em grande escala é o projeto BioRota, promovido pela Copersucar.
A iniciativa conta com mais de 70 caminhões abastecidos com biometano para levar açúcar de usinas parceiras até o Porto de Santos.
De acordo com dados do programa, a troca do diesel pelo combustível limpo pode cortar até 90% das emissões de gases de efeito estufa.
Até agora, a operação já substituiu aproximadamente 5 milhões de litros de diesel e evitou o lançamento de mais de 8 mil toneladas de CO₂ na atmosfera, evidenciando o potencial do biometano em cadeias logísticas de alto volume.
A ascensão do biometano acontece em um período de grande cobrança por alternativas que aliem produtividade, competitividade e redução de poluentes.
Para o setor sucroenergético, esse energético representa uma chance de fortalecer o papel das usinas como geradoras de energia limpa.
“É uma das grandes oportunidades do setor bioenergético. É o nosso ‘Pré-Sal Caipira’, porque nasce dentro da própria cadeia produtiva e pode retornar a ela como combustível”, afirma Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana.
Segundo ele, a tecnologia pode tornar a logística mais eficiente e acelerar a descarbonização das frotas pesadas.
O debate sobre o biometano ganha importância à medida que as tecnologias para transição energética no agronegócio avançam.
Durante a FenaBio, especialistas discutirão tópicos como produção do combustível, infraestrutura, investimentos, modelos de negócio e integração com as atividades das usinas.
A expectativa é que o biometano amplie sua presença como solução estratégica para o futuro da energia renovável no Brasil, combinando aproveitamento de resíduos, corte de emissões e maior eficiência para a indústria bioenergética.
Fonte: Portal do Agronegócio




























