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POR QUE FMOS FARIFADOS?EUA desvinculam Bolsonaro de tarifa e pressionam governo Lula por respostas concretas

Washington nega articulação política com o senador e critica falta de avanços do Brasil em negociações comerciais.

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Em meio ao anúncio de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo dos Estados Unidos fez questão de deixar claro que a medida não tem relação com o senador Flávio Bolsonaro ou com a oposição política no Brasil. A declaração foi feita pelo representante de Comércio americano, Jamieson Greer, durante entrevista coletiva na última quinta-feira.

Questionado sobre a participação de Flávio Bolsonaro em audiência pública relacionada às investigações da Seção 301, Greer foi categórico ao afirmar que não houve qualquer reunião entre ele, sua equipe e o parlamentar. A resposta seca teve como objetivo desmontar qualquer narrativa que ligasse a tarifa a uma suposta articulação política com a direita brasileira.

A frieza institucional reservada ao nome de Bolsonaro contrastou com o tom duro adotado em relação ao governo Lula. Greer não poupou críticas ao que chamou de práticas comerciais desleais e falta de cooperação do Brasil em diversos temas sensíveis para os interesses americanos.

Entre as reclamações apresentadas, o representante americano citou a atuação de tribunais brasileiros, que, segundo ele, obrigam empresas de tecnologia dos EUA a remover conteúdos políticos sob ordens sigilosas. Também mencionou multas diárias consideradas abusivas e ameaças de fechamento de operações no país.

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Outro ponto de descontentamento foi o suposto favorecimento ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, descrito por Greer como um “campeão nacional” operado pelo Banco Central. Para os americanos, isso cria uma desvantagem competitiva injusta para empresas dos Estados Unidos que atuam no setor financeiro brasileiro.

O governo americano também criticou as tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a países como Índia e México, além da insuficiente aplicação das leis anticorrupção. Greer lembrou que o Brasil alcançou apenas 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção de 2025, o que considerou um desempenho abaixo do esperado.

O desmatamento ilegal na Amazônia também entrou na pauta, com o representante americano alertando para os efeitos negativos sobre produtores agrícolas dos EUA. Segundo ele, a falta de controle efetivo sobre as queimadas e a derrubada da floresta impacta diretamente a competitividade do setor no mercado internacional.

O ponto mais incômodo da coletiva, no entanto, foi a avaliação das negociações bilaterais. Greer revelou que, após mais de um ano de conversas, o Brasil não apresentou respostas satisfatórias às propostas americanas. Embora tenha reconhecido algum progresso nas últimas seis semanas, ele demonstrou irritação com o que classificou como um padrão de promessas genéricas por parte de Brasília.

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“Declarações do tipo ‘nada está fora da mesa’ ou ‘estamos dispostos a discutir todos os temas’ não significam concessões”, afirmou Greer, deixando claro que esperava ações concretas, e não apenas disponibilidade para diálogo. A mensagem implícita foi de que a paciência americana tem limites.

Ao desvincular a tarifa de qualquer alinhamento político com a oposição brasileira, Washington sinaliza que a medida é resultado de interesses comerciais objetivos e não de preferências ideológicas. Com isso, o governo brasileiro perde a possibilidade de enquadrar a decisão como uma perseguição política articulada com a direita.

Agora, cabe ao Planalto avaliar a gravidade do momento e decidir se busca uma solução negociada ou transforma a disputa comercial em mais um capítulo da guerra cultural interna. As portas para o entendimento seguem abertas, mas o prazo para uma resposta concreta está se esgotando.

Fonte: Jovem Pan

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