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HERÓI PARAGUAIODe vendedor de roupas a herói mundial: a improvável ascensão de Orlando Gill

Goleiro paraguaio de 26 anos, que precisou vender pertences para cuidar do filho, brilhou nos pênaltis contra a Alemanha e classificou o Paraguai às oitavas da Copa.

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Orlando Gill já sabia o peso de uma decisão por pênaltis. Desta vez, porém, o palco era a Copa do Mundo. Diante da Alemanha, seleção que jamais havia perdido uma disputa de penalidades no torneio, o goleiro de 26 anos se consagrou como herói e garantiu a vaga paraguaia nas oitavas de final.

Nascido em San Lorenzo, no Paraguai, Gill hoje defende o San Lorenzo de Almagro, da Argentina. A carreira do arqueiro foi construída longe dos holofotes, mas se transformou em uma das histórias mais surpreendentes da seleção comandada por Gustavo Alfaro.

Com 1,99 m de altura, Gill chama atenção pelo porte físico e ganhou o apelido de “Courtois paraguaio” – referência ao goleiro belga do Real Madrid. No entanto, nem sempre atuou embaixo das traves. Ele iniciou a trajetória no Club 13 de Junio como meia-campista e era visto pelos antigos companheiros como o jogador mais talentoso do time.

Depois de assumir a posição de goleiro, Gill desenvolveu outra habilidade que remete a José Luis Chilavert: passou a cobrar faltas. No futebol paraguaio, ele marcou quatro gols dessa maneira, mostrando versatilidade rara para um arqueiro.

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O momento mais difícil da vida do atleta ocorreu quando seu filho, Lautaro, nasceu com problemas de saúde. Na época, Gill ainda dava os primeiros passos como profissional no modesto Sportivo San Lorenzo, do Paraguai, e o salário era insuficiente para cobrir as despesas da família. Segundo sua esposa, Melissa Ávalos, o goleiro vendeu roupas, chuteiras e até a camisa que guardava da passagem pela seleção sub-20. “Vendeu tudo”, relembrou ela.

A virada na carreira veio no fim de 2023, quando ele trocou o San Lorenzo paraguaio pelo homônimo argentino. Chegou sem prestígio e foi inicialmente destinado ao time de reservas, onde passou meses treinando antes de estrear e terminou como vice-campeão da categoria. Sua estreia pela equipe principal aconteceu apenas na última partida de 2024. Aproveitando as lesões dos concorrentes, ele ganhou espaço na pré-temporada seguinte e começou 2025 como titular. Impressionado com o desempenho, o clube argentino pagou cerca de US$ 500 mil por metade de seus direitos econômicos.

Foi novamente nos pênaltis que Gill viveu sua primeira grande noite no futebol argentino. Em maio de 2025, defendeu a cobrança de Maximiliano Romero e ajudou o San Lorenzo a eliminar o Argentinos Juniors, garantindo vaga na semifinal do Torneio Apertura. Já consolidado como um dos melhores goleiros do país, ele chegou à seleção principal do Paraguai e estreou em setembro daquele ano, numa vitória por 1 a 0 sobre o Peru.

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Menos de um ano depois, o jogador que precisou vender as próprias lembranças do futebol para cuidar do filho tornou-se dono de uma imagem impossível de negociar: a de herói paraguaio numa Copa do Mundo. Contra a Alemanha, Gill deixou de ser apenas o “Courtois paraguaio” e passou a carregar um nome próprio na história de seu país.

Fonte: O GLOBO

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