Menu

RESUMO DA ÓPERA68% dos brasileiros não lembram nome de deputado federal, diz Datafolha

Pesquisa Datafolha revela que maioria dos eleitores não sabe citar parlamentares e esquece em quem votou para o Legislativo em 2022.

publicidade

Uma pesquisa inédita do Datafolha, divulgada nesta semana, aponta que a maioria dos brasileiros não consegue recordar o nome de um único deputado federal ou senador atualmente em exercício. O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho, revela que 68% dos entrevistados não mencionaram nenhum integrante da Câmara dos Deputados, e 75% não citaram qualquer senador.

Os números mostram ainda que o esquecimento se estende ao próprio voto nas eleições passadas. Do total de eleitores ouvidos, 67% disseram não lembrar em quem votaram para deputado federal em 2022, e 66% não recordam suas escolhas para senador e deputado estadual. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.

Para as perguntas específicas sobre os votos de 2022, o instituto entrevistou 1.898 eleitores com 20 anos ou mais, ou seja, aqueles que já tinham idade mínima para votar naquele pleito. Quando questionados se lembravam do nome de algum parlamentar atualmente no Congresso, 36% responderam que não se recordavam de nenhum deputado federal, e outros 32% afirmaram não saber citar nenhum nome.

Dos 513 deputados federais, apenas seis foram citados por pelo menos 1% dos eleitores. O mais lembrado foi Nikolas Ferreira (PL-MG), com 6% das menções, seguido por Érika Hilton (PSOL-SP), com 4%. Com 1% cada, aparecem Gustavo Gayer (PL-GO), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Cleitinho (Republicanos-MG) também foi mencionado, embora seja senador e não deputado. Já Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teve seu nome citado, mas seu mandato de deputado federal foi cassado em dezembro passado, após ele se mudar para os Estados Unidos e ser acusado de coação contra autoridades brasileiras.

Leia Também:  Eduardo Bolsonaro ataca Zema com doação de R$ 1 milhão do pai de Vorcaro

No Senado, o cenário é semelhante: 40% dos entrevistados disseram não se lembrar de nenhum nome, e 35% afirmaram não saber. Dos 81 senadores, 15 foram mencionados por ao menos 1% dos eleitores. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está em pré-campanha para a Presidência, lidera com 3%. Com 2% cada, empatam o ex-jogador Romário (PL-RJ), Cleitinho e Sergio Moro (PL-PR).

No grupo dos que obtiveram 1% de menções estão Damares Alves (Republicanos-DF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Girão (Novo-CE), Esperidião Amin (PP-SC), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jader Barbalho (MDB-PA), Marcos Pontes (PL-SP), Otto Alencar (PSD-BA), Renan Calheiros (MDB-AL) e Rogério Marinho (PL-RN). Assim como Cleitinho, Nikolas foi erroneamente citado como senador por alguns eleitores.

A cientista política Beatriz Rey, pesquisadora da Universidade de Lisboa, analisa que falta no Brasil um trabalho de conscientização sobre o papel do Legislativo. Isso faz com que os eleitores concentrem mais atenção nos candidatos ao Executivo. Segundo ela, os dados refletem uma cultura que valoriza as eleições presidenciais e subestima as legislativas, mesmo com um Congresso cada vez mais influente.

De fato, o Datafolha mostra que apenas 7% dos entrevistados não lembram em quem votaram para presidente em 2022. Rey observa que a quantidade de cargos no Legislativo contribui para a confusão da população. Nestas eleições, as candidaturas ao Senado ganharam maior destaque após bolsonaristas indicarem a Casa como prioridade, já que senadores podem pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal por crime de responsabilidade.

Leia Também:  Operação no RJ teve apenas quatro vítimas fatais

Outro fator que permeia o Legislativo é a liberação vultosa de emendas parlamentares. Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, somente em maio o governo Lula (PT) repassou R$ 16,1 bilhões em emendas a deputados e senadores para aprovar o fim da escala 6×1 antes das eleições.

A falta de lembrança sobre o voto legislativo é maior entre as mulheres: 75% não recordam suas escolhas ao Senado, e 74% não lembram dos votos para deputados estadual e federal. Entre os eleitores com preferência pelo PT, o índice de esquecimento também é alto: 70% para senador e 69% para deputados.

Já entre os homens, o esquecimento é menor: 59% não lembram dos votos para deputados estaduais e federais, e 56% para senadores. Entre os entrevistados com maior identificação com o PL, os índices são de 63% para deputado federal, 61% para estadual e 56% para senador.

Em relação ao voto para governador em 2022, o Datafolha aponta que 38% dos eleitores não se recordam do nome do candidato que escolheram. Outros 9% afirmam não ter votado em ninguém, e 54% declaram lembrar. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Mais uma vez, o esquecimento é maior entre as mulheres (46%) do que entre os homens (28%). A faixa etária dos 20 aos 24 anos apresenta o maior índice de esquecimento (45%), enquanto o grupo dos 45 aos 59 anos tem a maior lembrança (63%).

Fonte: O Sul

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade