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CRIANDO CRISEFachin decidirá relatoria de caso ‘Dark Horse’ após PGR sugerir Mendonça

Ministro Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente do STF a decisão sobre quem relatará notícia-crime que liga Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro ao financiamento do filme ‘Dark Horse’.

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a definição sobre a relatoria de uma notícia-crime que investiga suposta conexão entre o financiamento do filme ‘Dark Horse’, as negociações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a atuação internacional do ex-deputado Eduardo Bolsonaro na campanha por sanções contra autoridades brasileiras.

A decisão de Moraes foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar a favor da redistribuição do caso ao ministro André Mendonça. Na sexta-feira (19), a PGR argumentou que Mendonça já é relator de um processo relacionado ao Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, o que justificaria a unificação das investigações.

A notícia-crime foi apresentada em 18 de maio pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar pediu a ampliação do inquérito contra Eduardo Bolsonaro, que apura coação no curso do processo, para incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro.

Lindbergh alega que há indícios de participação de Flávio na captação, cobrança, intermediação ou destinação de recursos vinculados ao filme ‘Dark Horse’, e que o ex-presidente seria beneficiário dos fatos investigados.

O deputado solicitou medidas cautelares contra Flávio, como a entrega do passaporte, proibição de deixar o país sem autorização judicial e proibição de contato com Daniel Vorcaro. Também pediu o bloqueio de bens do senador e de pessoas ligadas à operação de financiamento do filme.

Outro pedido é o compartilhamento de informações apuradas no inquérito contra Eduardo com as investigações sobre o Banco Master, incluindo dados sobre operadores financeiros, intermediários, empresas vinculadas ao filme, contratos, mensagens, áudios, comprovantes e relatórios de inteligência financeira.

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Lindbergh Farias requereu ainda que a Polícia Federal (PF) elabore um relatório sobre a correlação entre os dados coletados na operação contra o Banco Master e o processo contra Eduardo Bolsonaro.

Entre as solicitações, consta a expedição de ofícios ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, à Receita Federal, à Comissão de Valores Monetários (CVM), à PF e outros órgãos para identificar fluxos financeiros relacionados a Vorcaro, Flávio, empresas intermediárias, produtoras e pessoas jurídicas ligadas ao filme.

Também foi pedida a avaliação de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros, contratuais, societários, fiscais, migratórios e de lobby relacionados ao filme ‘Dark Horse’, à atuação de Eduardo e a eventuais pagamentos no exterior.

O deputado ainda requer a apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralelo, organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania nacional.

A crise envolvendo o dono do Banco Master ganhou destaque em 13 de maio, quando o Intercept Brasil divulgou que Flávio trocou mensagens com Vorcaro para captar financiamento para o filme ‘Dark Horse’, que contará a história de Jair Bolsonaro.

Em 19 de maio, o portal Metrópoles revelou que o senador se encontrou com o banqueiro após a primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes no Banco Master.

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Flávio confirmou a visita em entrevista a jornalistas, dizendo que foi encontrar Vorcaro para ‘botar um ponto final’ na história e afirmar que, se soubesse da gravidade da situação, teria buscado outro investidor.

Segundo a reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro se comprometeu a investir US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) no longa. Desse total, ao menos US$ 10 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

As mensagens divulgadas mostram negociações entre Flávio e Vorcaro. Em outubro de 2025, o senador cobrou o banqueiro, afirmando que a produção estava ‘no limite’ financeiro. Os diálogos também indicam um encontro na casa de Vorcaro, em São Paulo, em 2 de novembro de 2025, com a presença do ator Jim Caviezel e do diretor Cyrus Nowrasteh.

Apesar da repercussão, Flávio defendeu publicamente a captação de recursos. Em 15 de maio, durante evento de lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, ele justificou o investimento privado na obra e criticou o uso de verba pública para ‘propaganda política’.

Como exemplo, citou o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval de 2026. Flávio também criticou o Intercept Brasil, classificando a equipe como ‘suspeita’ e acusando o veículo de tentar ‘interceptar o futuro do país’.

Fonte: Jovem Pan

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