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ACREArtesanato acreano impulsiona bioeconomia com sementes e madeira reaproveitada

Artesã Rodney Paiva Ramos transforma sementes e madeira em biojoias que alcançam mercados nacionais e europeus, impulsionando a bioeconomia no Acre.

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Há 22 anos, a artesã Rodney Paiva Ramos, natural de Manaus (AM), encontrou no artesanato com sementes e madeira uma alternativa de renda. Atualmente, sua marca, Cores da Mata, produz biojoias e peças decorativas que são comercializadas em feiras e lojas de referência, como a do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Em 2025, o setor artesanal acreano movimentou mais de R$ 1,2 milhão em vendas, com crescimento de 154,6% no número de artesãos formalizados, segundo o Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab).

O artesanato é um dos pilares da economia local, representando 94,3% das empresas ativas no estado e 61,7% do emprego formal, conforme dados do diagnóstico da Agenda Acre 10 anos, plano de desenvolvimento sustentável do governo estadual. O governo do Acre promove ações de capacitação e acesso a mercados para fortalecer o setor, aliando tradição artesanal e inovação.

Para o engenheiro florestal Marky Brito, diretor de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Planejamento do Acre (Seplan), a produção artesanal com matérias-primas da floresta contribui para a conservação ambiental. Segundo ele, a legislação que exige 80% de reserva legal nas propriedades rurais da Amazônia permite que famílias coletem sementes e outros materiais nessas áreas. “Nesses 80% está toda a riqueza que a gente pode aproveitar economicamente”, afirmou Brito.

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A cadeia produtiva envolve diferentes atores. As sementes são coletadas em comunidades distantes, como relatou Rodney: “Uma senhora leva até três dias de barco e táxi para trazer as sementes”. O beneficiamento é feito por artesãos como Francisco Raimundo Brandão, que explicou que a jarina, considerada o “marfim vegetal da Amazônia”, leva até seis meses para secar antes de ser transformada. No ateliê, máquinas adaptadas por Valdeci Neves, marido de Rodney, auxiliam na produção. Durante a pandemia, a artesã inovou ao criar colares decorativos de mesa e parede, que chegam a custar R$ 2 mil e aumentaram o faturamento em 30%.

O Sebrae no Acre atua com capacitação e acesso a mercados nacionais e internacionais. O coordenador do Projeto de Internacionalização, Aldemar Maciel, destacou que o artesanato reúne pessoas em torno de uma produção sustentável e de baixo impacto ambiental. Para Adélia Borges, curadora da loja do Masp, a origem ambiental e socialmente justa dos produtos agrega valor ao artesanato amazônico no mercado.

Fonte: Agência de Notícias do Acre

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