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HISTÓRIA REALA atriz Hedy Lamarr inventou a base do Wi-Fi para ajudar na guerra contra os nazistas

Conhecida como a mulher mais bonita do mundo, Hedy Lamarr criou uma tecnologia que décadas depois se tornou fundamental para o Wi-Fi e o Bluetooth.

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Nos anos 1930, a atriz Hedy Lamarr encantava o público do cinema americano com sua beleza estonteante. Apelidada de ‘a mulher mais bonita do mundo’, ela era frequentemente escalada para papéis que exploravam o arquétipo da femme fatale, personagens marcados pela sensualidade e mistério.

Entretanto, sua contribuição mais significativa para a humanidade não aconteceu diante das câmeras, mas sim no universo da pesquisa científica. Enquanto milhões de espectadores se maravilhavam com seus filmes, Lamarr dedicava grande parte de seu tempo livre ao estudo de engenharia, matemática e sistemas de comunicação.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ela colaborou no desenvolvimento de uma tecnologia que, décadas depois, se tornaria um dos pilares das telecomunicações modernas. O sistema de salto de frequência, criado por ela e pelo compositor George Antheil, é um precursor direto do Wi-Fi, Bluetooth e GPS.

Lamarr iniciou sua trajetória no cinema ainda na adolescência. Nascida em Viena, Áustria, em 9 de novembro de 1914, com o nome Hedwig Eva Maria Kiesler, ela era filha única de uma família judia abastada. O ambiente familiar valorizava a educação, o que despertou nela um interesse precoce por ciência e tecnologia.

Aos 16 anos, já atuava em produções alemãs. A fama internacional veio em 1933, com o filme ‘Êxtase’, que gerou polêmica na Europa por conter cenas consideradas ousadas para a época. Esse filme abriu portas para ela em Hollywood, mas também a colocou em uma situação delicada.

Ela se casou com Fritz Mandl, um influente fabricante de armamentos que mantinha laços próximos com círculos políticos e militares da Europa. O casamento, no entanto, foi marcado pela infelicidade. Mandl tinha relações estreitas com o fascismo e o nazismo, o que expôs Lamarr ao contato com antissemitas radicais.

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Embora se sentisse aprisionada na relação, ela aproveitava para acompanhar o marido em reuniões com empresários, engenheiros e militares, onde absorvia conhecimentos sobre tecnologias militares. Esse aprendizado seria fundamental para sua futura invenção.

Com o avanço do antissemitismo na Europa e a ascensão do nazismo, Lamarr decidiu fugir. Em 1937, abandonou o casamento e partiu para Londres. Ela comprou passagens para o mesmo navio que levava o produtor Louis B. Mayer, fundador da MGM, e conseguiu chamar sua atenção. Pouco depois, desembarcava nos Estados Unidos com um novo nome artístico: Hedy Lamarr.

Nos anos seguintes, ela se tornou um dos rostos mais conhecidos do cinema americano. Filmes como ‘Argel’, ‘A Dama dos Trópicos’ e ‘Carga Branca’ consolidaram sua posição entre as maiores estrelas da Era de Ouro de Hollywood. No entanto, o sucesso nas telas não a afastou das questões políticas e militares da época.

A Europa estava imersa em um conflito devastador. Submarinos alemães ameaçavam embarcações que cruzavam o Atlântico, e muitos torpedos guiados por rádio podiam ser neutralizados pelos inimigos através da interferência nos sinais de comunicação. Lamarr se perguntava como seria possível evitar essa interceptação.

Em 1940, ela conheceu o compositor George Antheil, que também era apaixonado por tecnologia. Impressionado com a inteligência da atriz, Antheil começou a discutir com ela formas de resolver o problema das comunicações militares. Foi então que Lamarr apresentou uma ideia inovadora.

Em vez de utilizar uma única frequência de rádio, o transmissor e o receptor poderiam mudar constantemente de canal, saltando juntos entre diversas frequências. Se o inimigo tentasse bloquear uma delas, a comunicação continuaria funcionando nas demais. O conceito ficou conhecido como ‘frequency hopping’, ou salto de frequência.

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Inspirado nos mecanismos dos pianos automáticos, Antheil ajudou a transformar a ideia em um protótipo funcional. Em 1942, os dois receberam a patente de um sistema chamado Sistema de Comunicação Secreta. No entanto, a tecnologia da época não era capaz de implementá-lo de forma eficiente.

A Marinha dos Estados Unidos recebeu os direitos da patente, mas optou por não utilizar o sistema. Durante décadas, o projeto ficou praticamente esquecido. A situação começou a mudar apenas durante a Guerra Fria, com o avanço da eletrônica e o surgimento de componentes mais sofisticados.

Engenheiros militares passaram a empregar conceitos muito semelhantes aos desenvolvidos por Lamarr e Antheil. Mais tarde, o princípio do salto de frequência foi incorporado a sistemas de comunicação seguros utilizados pelas Forças Armadas americanas e, posteriormente, às comunicações sem fio modernas.

Durante grande parte de sua vida, Hedy Lamarr viu sua inteligência ser ofuscada pela fama de mulher bonita. Enquanto seu trabalho ajudava a transformar as telecomunicações, ela raramente era mencionada em livros de ciência ou engenharia. Ela nunca recebeu royalties pela invenção ou lucrou com as aplicações comerciais que surgiram décadas depois.

Apesar disso, na década de 1990, Lamarr e George Antheil receberam o Pioneer Award da Electronic Frontier Foundation. Mais tarde, ela se tornou a primeira mulher a receber o prêmio Bulbie Gnass Spirit of Achievement. Após sua morte, em 2000, veio uma das maiores homenagens: Hedy Lamarr foi incluída no Hall da Fama Nacional dos Inventores dos Estados Unidos.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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