Reportagem – Portal Acre Conservador
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, leu em plenário nesta terça-feira (17) o requerimento que institui a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, com o objetivo de desmantelar as atividades, percursos e influências de facções criminosas e milícias em todo o Brasil. Proposta pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a CPI já conta com 31 assinaturas e prevê a instalação após o recesso legislativo de julho, com 11 titulares, 7 suplentes, prazo de 120 dias e orçamento de R$ 30 mil.
Crescimento alarmante nas facções
Segundo estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as principais facções – Comando Vermelho (CV) e PCC – expandiram suas operações para 260 municípios na Amazônia Legal, incluindo 21 das 22 cidades do Acre: o CV domina em 18 e compete com PCC e grupos locais em cidades como Rio Branco.
O PCC, fundado em 1993, teria atualmente cerca de 40 mil membros ativos e 60 mil colaboradores, faturando até R$ 4,9 bilhões por ano com tráfico, roubos e lavagem de dinheiro.
Já o Comando Vermelho, originado no Rio de Janeiro em 1979, ampliou presença em mais de 14 estados, incluindo o Acre, com ramificações que variam entre tráfico, grilagem e controle de comunidades ribeirinhas.
Milícias: poder paralelo, controle local
Além das facções, o Brasil enfrenta a ascensão das milícias, compostas por policiais e agentes públicos que atuam na retração e exploração de moradores através de extorsão, fornecimento clandestino de água, gás, TV a cabo, transporte alternativo e agiotagem. Muitas contam com apoio de líderes políticos e comunitários.
No Acre, operações como a Incursio (maio/2024) e Mutus II (janeiro/2025) realizadas pela FICCO/AC prenderam suspeitos e apreenderam armas, entorpecentes e mais de R$ 5 milhões bloqueados – mostrando que essas organizações estão longe de se restringir às grandes.
Impactos em Rio Branco e no Acre
A violência causada pela presença dessas organizações é evidente: entre janeiro e outubro de 2023, 46% dos homicídios no Acre foram atribuído à guerra entre facções, com maioria vítimas jovens entre 15 e 29 anos. Apesar de recente recuo das taxas, o Acre ainda registra taxa equivalente a 26,4 homicídios por 100 mil em 2022, uma das maiores do país.
Estrutura e penetração no Estado
As facções operam em cadeias de comando hierárquicas, com núcleos de controle territorial, operadores de logística, agentes de violência e ramificações financeiras — muitas vezes infiltradas em esferas do poder público e política municipal. Essas estruturas se valem de pistas clandestinas, comunidades isoladas e alianças informais com políticos para mantê-las alimentadas e protegidas.
A CPI buscará investigar:
- O financiamento dessas redes criminais;
- Sua capacidade de recrutar e manter membros;
- Vínculos com agentes públicos e políticos;
- Fluxo de dinheiro oriundo de tráfico, extorsão e grilagem.
Acompanhe no Portal Acre Conservador o andamento da CPI, suas descobertas e possíveis propostas legislativas eficazes no combate ao crime organizado.
Fonte: Agência Senado































