O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a Pequim na noite desta terça-feira (19) para se reunir com seu homólogo chinês, Xi Jinping, em uma visita que visa demonstrar que os laços entre Rússia e China permanecem inabaláveis, poucos dias após a visita do presidente americano Donald Trump ao país asiático.
Putin desembarcou no Aeroporto Internacional de Pequim pouco depois das 23h15 (12h15 no horário de Brasília), onde uma banda militar o aguardava para as boas-vindas, de acordo com imagens da emissora estatal CCTV.
A viagem foi confirmada na sexta-feira, horas após Trump concluir sua primeira visita de Estado à China em quase uma década, com o objetivo de estabilizar as relações turbulentas entre as duas maiores economias do mundo.
Durante o encontro, Putin e Xi pretendem discutir como fortalecer ainda mais a parceria estratégica entre os países e trocar opiniões sobre questões internacionais e regionais cruciais, segundo comunicado do Kremlin.
Os laços entre os dois presidentes se aprofundaram desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, e Putin visita Pequim todos os anos desde então.
Moscou, isolada diplomaticamente no cenário global, depende fortemente de Pequim na área econômica, especialmente como principal compradora do petróleo russo, que enfrenta sanções internacionais.
Antes da visita, os dois líderes trocaram cartas de felicitação no domingo para comemorar os 30 anos da associação estratégica bilateral. Xi afirmou que a cooperação entre Rússia e China tem se aprofundado e consolidado continuamente, segundo a imprensa estatal chinesa.
Em uma mensagem em vídeo dirigida ao povo chinês, divulgada nesta terça-feira, Putin disse que as relações atingiram um nível verdadeiramente sem precedentes e que o comércio entre os países continua crescendo. Ele acrescentou, sem mencionar terceiros países, que ambos buscam paz e prosperidade universal, sem se aliarem contra ninguém.
Quando Putin visitou Pequim pela última vez, em setembro de 2025, Xi o recebeu como um velho amigo, tratamento que não concedeu a Trump na semana passada. Putin, que chama Xi de querido amigo, busca mostrar ao mundo que suas relações não são abaladas pela visita de Trump.
A visita do presidente russo não terá a mesma pompa da de Trump, mas, segundo a analista Patricia Kim, do centro de pesquisa Brookings Institution, a relação entre Xi e Putin não exige gestos de apaziguamento. As partes consideram seus vínculos estruturalmente mais fortes e estáveis do que os laços sino-americanos.
A China pede frequentemente negociações para acabar com a guerra na Ucrânia, que já dura mais de quatro anos, mas nunca condenou a Rússia e se apresenta como neutra. Trump e Xi abordaram o tema na semana passada, sem avanços concretos.
Para Kim, é quase certo que Xi informe Putin sobre o encontro com Trump. A falta de resultados claros provavelmente tranquilizará Moscou, indicando que Xi não fez acordos que minassem os interesses russos.
Putin espera que a China aprofunde o compromisso com Moscou, especialmente após Trump declarar à Fox News que Pequim concordou em comprar petróleo dos Estados Unidos. Como a Rússia depende das vendas à China para sustentar seu esforço de guerra, Putin não quer perder esse apoio, segundo Lyle Morris, da Asia Society.
Morris acrescentou que Putin provavelmente deseja ouvir de Xi os próximos passos da China no Oriente Médio, após Trump deixar claro que espera que Pequim desempenhe um papel de liderança na região. No entanto, sobre a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, China e Rússia podem ter prioridades diferentes.
James Char, da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, explicou que a China depende da liberdade das rotas marítimas e prefere que o impasse no Estreito de Ormuz termine rapidamente. Já Moscou se beneficiou economicamente dos combates no Irã devido à flexibilização das sanções contra o fornecimento de energia russa, o que pode gerar opiniões divergentes.
Após se reunir com Xi em abril, o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que a Rússia poderia compensar a escassez de energia da China à medida que a guerra afeta os suprimentos mundiais.
Fonte: Jovem Pan































