Após quase três décadas de espera, extrativistas do Acre recebem subvenção diretamente em conta, sem a dependência de intermediários. A medida, prevista desde 1999, finalmente saiu do papel por iniciativa do governo Gladson Cameli e marca um avanço concreto em direção à valorização dos trabalhadores da floresta e ao fortalecimento de uma economia sustentável.
A nova metodologia de pagamento da subvenção da borracha e do murumuru foi regulamentada pelo Decreto nº 11.564/2024 e conta com parceria do Banco do Brasil e recursos do Programa REM-KfW. A operacionalização, realizada via Poupança Social Digital, permite que o extrativista receba os valores diretamente em conta, sem custos e com total controle. A iniciativa garante mais agilidade, segurança e transparência.

O governador Gladson Cameli celebrou o marco: “Estamos cuidando de quem cuida da Amazônia. Acabou a espera e a dependência de atravessadores. O dinheiro chega diretamente a quem de fato merece”, disse. Já o secretário de Agricultura, Luis Tchê, reforçou que a mudança representa “o fim de 30 anos de burocracia” e “o resgate da dignidade dos guardiões da floresta”.
Em fase piloto, o modelo foi iniciado em Senador Guiomard, com a Cooperbonal. Ao todo, 77 extrativistas receberam R$ 70.147. A cerimônia de celebração está marcada para o dia 2 de julho, na sede da cooperativa, com presença dos produtores e suas famílias.
A importância da borracha na história acreana
A extração do látex, substância natural retirada das seringueiras (Hevea brasiliensis), é um marco na formação econômica e social do Acre. No final do século XIX e início do XX, o Ciclo da Borracha transformou a região amazônica em um polo estratégico global. O auge foi entre 1879 e 1912, quando o Brasil liderava a produção mundial. No Acre, milhares de nordestinos migraram para trabalhar nos seringais, ajudando a consolidar a presença brasileira no território e contribuindo para a incorporação do Acre ao país.
Mesmo com o declínio do ciclo a partir da década de 1910 — causado pela concorrência da borracha asiática — o extrativismo do látex continuou a desempenhar papel importante para comunidades tradicionais. Hoje, mesmo com menor escala industrial, a borracha acreana ainda possui valor estratégico em setores como a indústria de artefatos, pneus e adesivos ecológicos.
O potencial econômico do murumuru

O murumuru (Astrocaryum murumuru), palmeira nativa da Amazônia, tem se destacado pelo seu elevado valor comercial na indústria cosmética. As amêndoas do fruto geram uma manteiga rica em ácidos graxos, usada principalmente em hidratantes, shampoos e produtos de alta performance. Multinacionais da beleza, como Natura e L’Oréal, já utilizam o insumo em larga escala.
Além do setor de cosméticos, o murumuru possui aplicações em produtos dermatológicos e farmacêuticos. Por ser uma atividade extrativista de baixo impacto ambiental, seu aproveitamento respeita a lógica da “floresta em pé”, garantindo renda para as populações tradicionais sem comprometer o ecossistema. O mercado internacional para ingredientes amazônicos naturais cresce ano após ano, colocando o murumuru como um dos expoentes da bioeconomia.
Essa transformação histórica no modo como o Acre valoriza seus extrativistas é um exemplo de gestão moderna com respeito à tradição. Continue acompanhando mais ações que honram a floresta e seus verdadeiros guardiões aqui no Portal Acre Conservador.
Fonte primária: Agência de Notícias do Acre






























