Coronel Ulysses acusa STF de blindagem e critica decisão de Gilmar Mendes como “vergonhosa” e atentatória à democracia
O clima de tensão entre Supremo Tribunal Federal e Congresso Nacional voltou a ganhar destaque após a forte reação do deputado federal Coronel Ulysses (União Brasil-AC) à decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes, que, segundo o parlamentar, representa um caso explícito de interferência no Poder Legislativo. Para Ulysses, trata-se de “blindagem vergonhosa” e de um novo episódio de desequilíbrio entre os Poderes da República.
A manifestação do deputado ocorreu em vídeo divulgado nas redes sociais, no qual ele afirma que o Brasil presencia, novamente, um movimento do STF que ultrapassa os limites constitucionais e invade as prerrogativas do Congresso — poder que carrega legitimidade direta do voto popular.
Críticas ao Supremo e à omissão do Senado
Em sua fala, Ulysses afirma que a crise institucional não é criada por um único ministro, mas pela falta de reação do Senado Federal, a quem a Constituição atribui o dever de fiscalizar, julgar e, quando necessário, conter excessos do Judiciário.
“O Senado, que deveria colocar o STF no seu devido lugar, está de joelhos. Até hoje não teve coragem. Agiu de forma covarde e omissa.”
Segundo o parlamentar, a repetição de decisões monocráticas — que não passam pelo crivo do plenário do Supremo — torna a interferência ainda mais grave por concentrar poder nas mãos de um único magistrado.
Ulysses classificou o ato como um “atentado ao Estado Democrático de Direito” e afirmou que o STF vive uma crise de credibilidade perante a população:
“Nenhum ministro recebeu voto. Quem legisla é o Congresso. O que vimos hoje é um aviltamento da soberania popular.”
Defesa de mudanças estruturais no STF
O deputado do Acre reafirmou bandeiras que já vêm orientando sua atuação no Parlamento: o fim das decisões monocráticas e o estabelecimento de mandatos temporários para ministros do STF.
- Fim das decisões monocráticas
Ulysses critica o “poder absoluto” conferido a um único ministro ao suspender leis, decretos, políticas públicas ou investigações. Para ele, nenhuma democracia madura permite tamanha concentração de poder.
- Mandatos para ministros do STF
Atualmente, os ministros permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos. Ulysses defende mandatos fixos, como ocorre em outras democracias, para impedir que uma única composição influencie a vida nacional por décadas.
Apelo direto ao Senado
O parlamentar encerra sua manifestação com um chamado enfático aos senadores — muitos dos quais, segundo ele, evitam confrontos com o Supremo por conveniência política.
“Pelo amor de Deus, Senado: deixem a omissão de lado. Tenham coragem. O Brasil precisa de equilíbrio entre os Poderes.”
Uma das vozes mais firmes contra abusos institucionais
Nos bastidores políticos, Coronel Ulysses tem se consolidado como uma das vozes mais rígidas contra aquilo que considera “expansão indevida do STF sobre as atribuições constitucionais do Congresso”. O parlamentar acreano integra um grupo crescente de deputados e senadores que defendem reformas institucionais para frear decisões monocráticas, revisar competências do Supremo e reequilibrar o sistema de freios e contrapesos da República.
Contexto: crise entre Poderes e o debate sobre limites do Judiciário
Nos últimos anos, o STF tem sido protagonista de decisões que interferem diretamente em ações do Legislativo e do Executivo. A multiplicação de decisões monocráticas reacendeu o debate sobre:
- limites de atuação da Corte,
- necessidade de transparência e colegialidade,
- fortalecimento do Parlamento,
- e revisão das atribuições constitucionais do Supremo.
Ao mesmo tempo, setores da sociedade veem no STF um contrapeso essencial a governos e parlamentares, o que torna o debate ainda mais polarizado.
A fala de Ulysses, entretanto, ecoa um sentimento de insatisfação crescente entre eleitores que enxergam no Judiciário um poder que ultrapassou seus limites originais.
A crítica do Coronel Ulysses à decisão de Gilmar Mendes acirra o debate nacional sobre o papel do Judiciário no sistema democrático brasileiro — um debate que deve continuar ganhando força no Congresso em 2025, especialmente com projetos que regulam decisões monocráticas e discutem mandatos para ministros.
O conflito entre STF e Parlamento permanece como um dos temas mais sensíveis da política brasileira contemporânea, revelando um país que busca reencontrar o equilíbrio perdido entre os Poderes.
Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações da Câmara dos Deputados.






























