Os extremos climáticos continuam a afetar de forma severa o Acre, e as comunidades indígenas estão entre as mais atingidas. Enquanto as cheias trazem doenças e destruição de plantações, a estiagem atual agrava a insegurança alimentar e o acesso à água potável.
Para enfrentar os efeitos da seca, a Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi) anunciou nesta semana a perfuração de 38 poços e cacimbas em aldeias das regiões do Alto Rio Purus e Alto Rio Juruá. O investimento previsto é de R$ 2 milhões, com início dos trabalhos ainda em setembro.
Segundo a secretária Francisca Arara, a ação faz parte do Programa REM Acre – Fase II (REDD Early Movers) e tem como objetivo garantir alternativas de abastecimento hídrico durante períodos de seca prolongada.
📦 Apoio emergencial e bolsas para agentes agroflorestais

Além dos poços e cacimbas, o governo anunciou a entrega de 5 mil cestas básicas e a manutenção do pagamento de bolsas para 148 agentes agroflorestais indígenas, com valores entre R$ 500 e R$ 800 garantidos até 2026.
Esses agentes desempenham papel estratégico, atuando no monitoramento dos sistemas agroflorestais, na promoção da segurança alimentar e na disseminação de práticas de educação ambiental nas 36 terras indígenas do Acre.
🛑 Defesa Civil monitora crise

O Gabinete de Crise, coordenado pela Defesa Civil Estadual, acompanha a situação de perto. O coronel Carlos Batista, responsável pela Defesa Civil, afirmou que reuniões com a Funai e os Distritos Sanitários Indígenas buscam “alternativas viáveis para atender comunidades mais isoladas e severamente afetadas pela seca”.
🌎 Apoio externo e internacionalização do tema
A secretária Francisca Arara também informou que a Sepi pretende mobilizar recursos adicionais por meio de emendas parlamentares e levar a pauta à COP-30, ressaltando que a questão é urgente e essencial para a sobrevivência dessas comunidades.
📌 Análise Conservadora
A crise hídrica nas aldeias indígenas do Acre expõe duas realidades:
- A fragilidade estrutural do Estado brasileiro em lidar com os efeitos de extremos climáticos.
- A dependência crescente de fundos internacionais e de programas externos, que, embora tragam recursos, reforçam a vulnerabilidade e a falta de autonomia local.
Ações emergenciais como poços, cacimbas e distribuição de cestas são importantes, mas o desafio real é garantir gestão eficiente, despolitizada e sustentável dos recursos naturais, evitando que comunidades fiquem reféns de medidas paliativas e da burocracia estatal.
Reportagem | Portal Acre Conservador
* Com informações da Agência de Notícias do Acre























