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ACRERevolução Acreana: conflito, diplomacia e a incorporação do Acre ao Brasil

A Revolução Acreana (1899-1903) uniu luta armada e acordo diplomático para integrar a região do Acre ao Brasil, marcando a história da Amazônia.

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A Revolução Acreana (1899–1903) foi um movimento que envolveu aspectos socioeconômicos, militares e diplomáticos, culminando na incorporação da região do Acre ao território brasileiro. Diferente das demais unidades da federação, o Acre foi integrado ao Brasil por meio de uma combinação de ação armada liderada por habitantes locais e um tratado internacional.

O contexto do conflito remonta ao final do século XIX, quando a borracha, extraída da seringueira (Hevea brasiliensis), tornou-se uma das matérias-primas mais valorizadas mundialmente, impulsionada pela Segunda Revolução Industrial. Esse produto era essencial na fabricação de pneus, correias e outros artigos. A economia amazônica cresceu, atraindo milhares de trabalhadores. Pelo Tratado de Ayacucho (1867), Brasil e Bolívia estabeleceram que o Acre pertencia à Bolívia, embora o Peru também disputasse a área. No entanto, nem Bolívia nem Peru exerciam controle efetivo. Durante a seca de 1877 no Nordeste, muitos brasileiros migraram para o Acre, estabelecendo seringais e ocupando a região de fato.

Em 1899, o governo boliviano tentou afirmar sua soberania sobre o Acre, instalando um posto alfandegário em Puerto Alonso (atual Porto Acre) e cedendo a administração econômica da área ao Bolivian Syndicate, consórcio formado por investidores norte-americanos e europeus. A medida gerou revolta entre os seringueiros brasileiros, que organizaram resistência. O movimento teve duas fases: em 14 de julho de 1899, o jornalista espanhol Luis Gálvez proclamou a República do Acre. O governo brasileiro, então sob a presidência de Campos Sales, não reconheceu o novo Estado e interveio para evitar atrito com a Bolívia.

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Em 1902, os seringueiros convidaram o gaúcho Plácido de Castro, ex-militar, para liderar um novo levante. Ele formou o Exército Acreano e empregou táticas de guerrilha adaptadas à floresta. O conflito culminou com a tomada de Puerto Alonso em janeiro de 1903, consolidando o controle brasileiro. Com a vitória militar, a questão passou à diplomacia. O Barão do Rio Branco, então ministro das Relações Exteriores, conduziu negociações que resultaram no Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903. O Brasil adquiriu oficialmente o Acre, pagando 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia e indenizando o Bolivian Syndicate. Além disso, comprometeu-se a construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, para dar à Bolívia acesso ao Atlântico pelos rios Madeira e Amazonas, e houve ajustes territoriais nas fronteiras.

A Revolução Acreana definiu as fronteiras ocidentais do Brasil e reforçou a posição brasileira na produção mundial de borracha durante o Ciclo da Borracha. O episódio é considerado um marco na história da Amazônia, símbolo da determinação dos seringueiros e da defesa territorial. A memória do movimento permanece em monumentos, museus e celebrações, homenageando figuras como Plácido de Castro, Luis Gálvez e o Barão do Rio Branco.

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Fonte: Pref. Sena Madureira

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