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LITERATURAEscritora brasileira chega à final do International Booker Prize sem apelar a pautas identitárias

Ana Paula Maia foi semifinalista do prêmio com seu livro ‘Assim na Terra como Embaixo da Terra’, traduzido para o inglês.

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A escritora brasileira Ana Paula Maia, de 48 anos, alcançou a semifinal do International Booker Prize, uma das principais honrarias literárias do mundo, sem seguir o caminho das pautas identitárias que dominam parte do mercado editorial. Natural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a autora construiu uma trajetória fora do convencional, focada em histórias de terror e suspense com cenários universais.

O romance que a levou ao prêmio, ‘Assim na Terra como Embaixo da Terra’, foi traduzido para o inglês por Padma Viswanathan. A obra disputou a fase final da premiação, mas o vencedor foi ‘Taiwan Travelogue’, da escritora taiuanesa Yang Shuang-zi. O International Booker Prize é conhecido por projetar autores para leitores de diversos países.

Em entrevista ao portal Uol, Maia afirmou nunca ter se identificado com a abordagem identitária predominante entre seus colegas escritores. Ela brincou que todos parecem estar ‘na recepção do mesmo terapeuta, bêbados e em crise’. Apesar de ter características que movimentos de esquerda costumam destacar, a autora evita essas narrativas.

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Essa postura, segundo ela, gera dificuldades para se inserir nos círculos literários brasileiros. ‘Não tem nada disso: “ah, nasci em Nova Iguaçu, sou mulher, preta”. Não existe isso. Aqui não tem questão identitária. Então fica mais difícil, às vezes, me encaixarem. Eu vou me encaixar em outros lugares, onde você só precisa ser bom’, disse.

O reconhecimento internacional de Maia veio antes do sucesso no Brasil. Na Alemanha, seu romance ‘A Guerra dos Bastardos’ foi eleito pela crítica como um dos melhores livros noir do ano. O feito lhe rendeu popularidade incomum entre autores brasileiros, com sessões de autógrafos e lançamentos lotados.

A escritora também consolidou uma carreira em língua espanhola, publicando regularmente na Argentina desde seu quinto livro, ‘De Gados e Homens’. Para ela, a recepção positiva no exterior se deve ao caráter universal de suas histórias, que não são regionalistas e abordam temas como poder, violência e instituições, compreensíveis em diferentes culturas.

Maia afirma que seus personagens enfrentam conflitos ligados ao funcionamento do poder e da violência, o que permite que leitores de vários países se conectem com as tramas. ‘Não tem questão identitária’, reforçou.

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Apesar de ainda ter um público restrito no Brasil, a autora segue investindo em sua carreira internacional, onde encontrou um espaço mais aberto para seu estilo literário.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

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