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COMÉRCIO BILATERALEmpresários brasileiros e americanos pedem ampliação de comércio entre os países

Associações empresariais propõem acordo para evitar tarifas de 25% sobre exportações brasileiras aos EUA.

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Associações que representam empresários do Brasil e dos Estados Unidos enviaram uma carta conjunta às autoridades dos dois governos solicitando a expansão do comércio bilateral em setores como data centers, automóveis e minerais críticos. O documento foi encaminhado em meio às negociações para evitar a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros no mercado americano.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e a Câmara de Comércio dos EUA (US Chamber) são as entidades signatárias da carta. O prazo para um eventual acordo é 15 de julho, data limite para a decisão sobre as tarifas.

Segundo estimativas da CNI, se implementadas, as tarifas de 25% atingirão cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o que representa US$ 15 bilhões em comércio. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, já mapeou mais de 40 empresas americanas que se opõem à medida.

No documento, os empresários defendem medidas como ampliar o acesso a mercados de segurança energética e data centers, aprofundar a cooperação regulatória nos setores automotivo e farmacêutico, apoiar uma moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre transmissões eletrônicas, acelerar o exame de patentes e intensificar a cooperação em minerais críticos.

“Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros”, afirma um trecho da carta.

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As entidades concluem que “o avanço por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”.

A carta foi endereçada aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e do representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro declarou: “Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional.”

O Brasil busca convencer o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a rever a proposta. Há expectativa de reuniões entre equipes brasileiras e americanas antes do dia 15 de julho.

Nesta semana, o USTR abriu a fase de audiências públicas da investigação, reunindo representantes de associações empresariais dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.

O presidente da AmCham, Abrão Neto, afirmou que “a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”.

Neto destacou que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos primeiros cinco meses de 2026, o menor nível já registrado. As importações brasileiras dos EUA também recuaram 11% no mesmo período.

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“Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas”, complementou.

O sentimento geral é de que a reversão completa das tarifas é improvável, mas que o alcance da medida pode ser reavaliado diante dos prejuízos à economia americana.

O governo brasileiro mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que se manifestaram contra a tarifação, argumentando que não há substitutos domésticos para os produtos brasileiros e que as tarifas elevariam custos para consumidores e indústrias nos EUA.

A informação consta da resposta oficial do Brasil ao USTR. A investigação comercial americana concluiu que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio americano, incluindo o funcionamento do PIX, decisões judiciais sobre redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento, barreiras ao etanol americano, problemas de propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção.

Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos estratégicos, como café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos.

Fonte: G1

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