Uma cena rara foi capturada por um fotógrafo israelense em uma plantação de chá próxima ao Parque Nacional de Manas, no estado indiano de Assam. Uma pantera-negra, acompanhada de seus dois filhotes, foi fotografada em meio à vegetação. O registro é considerado excepcional porque apenas seis leopardos negros são conhecidos em toda a reserva.
Apesar de popularmente chamada de pantera-negra, a fêmea não pertence a uma espécie distinta. Trata-se de um leopardo comum (Panthera pardus) que apresenta melanismo, condição genética que resulta em excesso de pigmentação escura na pelagem. Em certas condições de luz, ainda é possível notar as manchas típicas do animal.
O fotógrafo Matan Sharon viajou até a região com o objetivo específico de localizar a fêmea, que havia dado à luz recentemente. Durante a expedição, a equipe também conseguiu avistar o macho adulto, descrito como um exemplar de grande porte e também negro.
Sharon declarou ao site Ynet que a experiência superou suas expectativas. “Ver uma mãe pantera-negra com seus dois filhotes, e ainda encontrar o pai, foi algo que eu jamais imaginei que pudesse acontecer”, afirmou.
Os animais foram observados em uma área de plantação de chá localizada na borda da reserva. De acordo com o fotógrafo, o ambiente oferece condições ideais para a criação dos filhotes. As árvores cultivadas para sombrear os pés de chá funcionam como abrigo e pontos de observação para os leopardos, que podem escalar rapidamente ou se esconder entre os arbustos diante de algum perigo.
Sharon acredita que a proximidade com as plantações reduz o risco de encontros com tigres, que preferem as áreas mais densas da floresta. Além disso, os leopardos podem retornar rapidamente para a mata quando os trabalhadores chegam para cuidar da plantação.
Em uma publicação no Instagram, o fotógrafo destacou o comportamento cuidadoso da fêmea. “Ela escolheu o único lugar seguro por perto para criar seus filhotes. Sabe quando deixá-los e quando voltar. Está protegida por todos os lados e garantiu que eles também estejam”, escreveu.
Encontrar os animais exigiu dias de trabalho em condições adversas. A equipe enfrentou temperaturas próximas a 36 °C, alta umidade e chuvas frequentes, além da vegetação densa da floresta tropical. Contaram com a ajuda de um guia local, um guarda florestal e um motorista de safári para percorrer a região.
“A selva é muito densa e a luz quase não atravessa as árvores. Sabíamos que estávamos procurando uma agulha em um palheiro verde”, relatou Sharon.
Além dos leopardos negros, o fotógrafo registrou outras espécies durante a viagem. Ainda assim, afirma que observar a mãe cuidando dos filhotes foi o momento mais marcante da expedição. “Adoro observá-la se movimentando em um ritmo preciso. Ela está em sintonia com a natureza, percebe os perigos, aproveita a presença humana quando isso favorece sua sobrevivência e desaparece quando sente que é hora”, concluiu.
Fonte: Metrópoles






























