A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira que novos casos de hantavírus podem surgir, mas expressou a expectativa de que o surto será “limitado” caso precauções sejam tomadas. A declaração ocorre após a doença, transmitida pela cepa Andes, ter matado três passageiros de um navio de cruzeiro.
O chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou a jornalistas em Genebra que, até o momento, cinco casos confirmados e três suspeitos foram relatados, incluindo as três mortes. “Dado o período de incubação do vírus Andes, que pode ser de até seis semanas, é possível que mais casos sejam relatados”, alertou, referindo-se à rara cepa detectada a bordo do MV Hondius, conhecida por sua capacidade de transmissão entre humanos.
Sua previsão foi corroborada rapidamente, com o Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, confirmando outro paciente positivo no mesmo dia. Contudo, o diretor de alerta e resposta a emergências da OMS, Abdi Rahman Mahamud, enfatizou: “Acreditamos que este será um surto limitado se as medidas de saúde pública forem implementadas e a solidariedade demonstrada em todos os países.” Pessoas que teriam contraído o vírus estão sendo tratadas ou isoladas no Reino Unido, Alemanha, Holanda, Suíça e África do Sul.
A diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, buscou tranquilizar a população, afirmando: “Este não é o início de uma epidemia. Este não é o início de uma pandemia. Isso não é Covid.”
O hantavírus é uma doença respiratória rara, geralmente transmitida por roedores infectados, que pode causar sofrimento respiratório e cardíaco, além de febres hemorrágicas. Não há vacinas nem cura conhecida para a doença, com o tratamento focado exclusivamente no alívio dos sintomas.
Acredita-se que um passageiro tenha contraído o vírus antes de embarcar no navio na Argentina e, subsequentemente, infectado outros a bordo enquanto a embarcação navegava pelo Atlântico.
Três pessoas sintomáticas foram evacuadas do navio na quarta-feira, e uma quarta desembarcou em Amsterdã na quinta-feira, segundo a operadora da embarcação, Oceanwide Expeditions. A empresa informou que “nenhum indivíduo sintomático está presente a bordo” do navio, que segue para a ilha espanhola de Tenerife.
No Reino Unido, a Agência de Segurança de Saúde aconselhou duas pessoas que retornaram do navio a se autoisolarem, embora estivessem assintomáticas, reiterando que o risco para o público é “muito baixo”. Autoridades argentinas, por sua vez, planejam testar roedores na cidade costeira de Ushuaia, ponto de partida do navio em 1º de abril.
A cronologia dos eventos revela que um holandês, que embarcou em Ushuaia com sua esposa, morreu a bordo em 11 de abril. Seu corpo foi removido do navio em 24 de abril, em Santa Helena, onde outros 29 passageiros desembarcaram. A OMS notificou 12 países cujos cidadãos desembarcaram naquela ilha.
O alarme intensificou-se quando a esposa do falecido, que acompanhou o corpo até a África do Sul, faleceu 15 dias depois, em 4 de maio, com a causa confirmada como hantavírus. O casal havia visitado Chile, Uruguai e Argentina antes do cruzeiro. A holandesa voou de Santa Helena para Joanesburgo com sintomas, levando autoridades a rastrear os 82 passageiros e seis tripulantes daquele voo. Uma passageira alemã também morreu em 2 de maio, com seu corpo permanecendo a bordo do navio.
Fonte: Jovem Pan






























