O ex-assessor de Alexandre de Moraes no STF e ex-chefe da AEED no TSE, Eduardo Tagliaferro, declarou nesta terça-feira (2), em audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado, que a atuação do tribunal após os ataques de 8 de janeiro de 2023 ficou marcada por desvio de finalidade e possível motivação política — apesar de respaldada por um despacho do próprio ministro no dia seguinte ao ocorrido. As declarações ocorrem em paralelo à repercussão da Vaza Toga 3.
Desvio de função com respaldo judicial?
Tagliaferro afirmou que, em 9 de janeiro de 2023 — um dia após os ataques — Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal obtivesse imagens dos atos e o autorizou a coordenar consultas aos dados do TSE para identificar presos em flagrante. Ele qualificou a situação como “maracutaia judicial”.
Ele afirmou ainda que a AEED, inicialmente criada para enfrentar desinformação, passou a atuar como autoridade com “poder de polícia”, citando resolução do TSE que sustentava essa atuação — sem, porém, saber se isso ocorreu apenas no período eleitoral ou foi estendido posteriormente.
Vazamentos em foco
As declarações renderam nova repercussão em meio à Vaza Toga 3, série de reportagens que expôs diálogos entre ministros e assessores do STF/TSE, que levantam suspeitas sobre informalidade e decisões fora dos trâmites legais. Documentos revelam pedidos de relatórios contra críticos de determinadas correntes políticas, indicando uso político da AEED.
Implicações à imparcialidade
A atuação híbrida — com Moraes atuando como vítima, relator e executor das ações — fere princípios fundamentais do Estado de Direito e acusações de imparcialidade. O episódio expõe a urgência de separar investigações judiciais de iniciativas políticas e garantir liberdade de expressão, sem interferência institucional. A defesa da gestão enxuta, clara e sem favorecimentos ideológicos encontra nessa narrativa um argumento-alicerce.
👉 O depoimento de Tagliaferro acende debate sobre limites institucionais e o risco de judicialização da política. É imperativo defender o esclarecimento dos fatos e a transparência da atuação pública para preservar a confiança institucional.
O país precisa voltar a respeitar o sistema de pesos e contrapesos, consolidando que democracia se faz com o povo, pela lei, e não por interpretações subjetivas de poucos. Sem essa reforma, a máquina do Judiciário continuará sendo manipulada, transformando a Justiça em instrumento político e afastando o Brasil do Estado de Direito.
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Reportagem | Portal Acre Conservador
Com informações de UOL / Carta Capital / Agência Senado






























