O Centro Cultural Baytewawa, na Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima, recebeu, no domingo, 17, visitantes de toda a região do Vale do Juruá para comemorar a demarcação de suas terras pelo governo federal, ocorrida no ano 2000.

Na abertura oficial do encontro, foram relembradas as “antigas” lideranças da etnia que enfrentaram muitas adversidades e lutaram para reconhecimento do direito sobre o território ancestral reconhecido pelas autoridades brasileiras. Sobretudo, o árduo trabalho do ex-cacique Mário Puyanawa, falecido em 2021, foi exaltado por ser ele o grande articulador das ações que culminaram com a criação da Terra Indígena Puyanawa.
Após os pronunciamentos iniciais, a celebração evocou a espiritualidade tradicional por meio de cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Esses “rezos” ancestrais foram retomados pelo povo Puyanawa graças à liberdade conquistada com a demarcação territorial que proporcionou um forte processo de valorização dos costumes, tradições e saberes indígenas dessa nação.
Comemoração com cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Foto: Diego Silva/SecomO atual cacique Joel, filho de Mário Puyanawa, ressaltou a importância da demarcação territorial para o seu povo.
“Essa é a data histórica mais importante para nós. Celebramos o passado, o presente e o futuro. Muitas pessoas que participaram da luta pela demarcação que já partiram. A minha felicidade é poder dar continuidade à nossa história. Por meio dos nossos cantos e danças recordamos a luta dos nossos antepassados incentivando os nossos jovens a valorizarem nossa cultura e tradições”, afirmou o cacique Joel Puyanawa .
Segundo o cacique Joel Puyanawa, a demarcação de uma terra indígena representa liberdade e a possibilidade de uma reafirmação cultural, garantindo a continuidade histórica de um povo.
Cacique reafirma compromisso de cuidar do território, envolvendo passado, presente e futuro. Foto: Diego Silva/Secom“Trabalhamos essa terra com consciência, preservando tudo o que temos e respeitando a natureza. Isso significa garantir um futuro promissor para as novas gerações do nosso povo. Nesse território estão nossa história e nossos valores tradicionais, e precisamos seguir nesse caminho aprendendo cada vez mais para mostrar ao mundo que é possível trabalhar e produzir sem devastar o meio ambiente”, afirmou Joel.
Um dos mateiros que atuou no processo de demarcação e ajudou a instalar os marcos da Terra Indígena Puyanawa foi José Lima, atualmente com 82 anos de idade. Ele lembra ainda das lutas para garantir o direito às terras do seu povo.
“Antes da demarcação a gente tinha uma vida de sofrimento. Trabalhávamos para os patrões sem ter direito a nada. Mas depois da demarcação nós passamos a ter liberdade para trabalhar no que é nosso”, explicou o indígena José Lima.
“Naquela época, os latifundiários dessa região eram contrários à demarcação e tentaram retomar a terra à força. Mas nossas mulheres formavam um muro vivo nas estradas para impedir a entrada deles no território. Até que, um dia, desistiram e nós passamos a cuidar daquilo que é nosso desde o tempo dos nossos ancestrais”, complementou Lima.
Inspiração para as novas gerações
A professora da Escola Indígena Estadual Ixubay Rabui Puyanawa, Valéria Xinã Yruya revela que a história do seu povo é trabalhada nas salas de aula como forma de fortalecer a identidade cultural dos alunos.
Aprendizados e valores da cultura puyanawa são priorizados na educação dos jovens. Foto: Diego Silva/Secom“A escola não é separada da comunidade. Todo o nosso planejamento educacional reflete a nossa realidade. Nesta data, não celebramos somente a demarcação, mas também quem somos. Festejamos, com alegria, os ensinamentos dos nossos antepassados, que seguem presentes em cada um de nós sempre do nosso lado encarnados em cada um de nós, mantendo vivas as suas histórias e saberes aqui na terra”, revela Xinã.
O domínio territorial do povo Puyanawa é constantemente fortalecido por meio de expedições realizadas até os marcos que delimitam o território em meio à vasta floresta.
“Todos os anos fazemos uma caminhada aos limites do nosso território para reencontrarmos a força da natureza, que é a base da nossa cultura Puyanawa. Alguns professores e professoras também participam dessas expedições para levarem aos alunos os ensinamentos e os valores do nosso povo,” finalizou a professora Indígena Valéria Xinã Yruya.
Foto: Diego Silva/Secom
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