Menu

DÉFICT NA SAÚDE

Governo anuncia novos leitos, mas realidade hospitalar do Acre ainda é desafiadora

Apesar da abertura de 16 novos leitos, Estado segue abaixo da média nacional na oferta hospitalar
Novos leitos foram abertos para reforçar atendimentos de saúde. Foto: Gleison Luz/Fundhacre

publicidade

Em meio à alta sazonal na demanda por atendimentos hospitalares, o governo do Acre anunciou nea sexta-feira (13) a abertura de novos leitos clínicos para reforçar a rede de assistência à saúde no estado. Foram ativados seis leitos na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco, além de outros dez na maternidade Bárbara Heliodora, totalizando 16 novas vagas.

As novas estruturas têm como objetivo desafogar as unidades de urgência e emergência da capital, como o Pronto-Socorro de Rio Branco e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), especialmente diante do aumento de casos respiratórios, doenças infecciosas e síndromes sazonais.

A medida faz parte do conjunto de ações emergenciais para reestruturar os fluxos hospitalares no Acre. Foto: Gleison Luz/Fundhacre

“Estamos antecipando medidas para garantir que nenhum paciente deixe de receber assistência. Esses novos leitos fortalecem nossa retaguarda e refletem o compromisso da gestão em agir com planejamento e responsabilidade”, destacou o secretário de Saúde, Pedro Pascoal.

A presidente da Fundhacre, Soron Steiner, ressaltou a integração das unidades estaduais: “Os pacientes são do sistema único de saúde, não de uma unidade específica. O esforço conjunto das equipes garante o cuidado integral, mesmo diante dos desafios.”

Estrutura hospitalar ainda limitada

Apesar do anúncio, o Acre continua enfrentando um dos maiores déficits hospitalares do país. Segundo dados atualizados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o estado possui atualmente 24 hospitais — sendo 18 hospitais gerais e 6 especializados. Desses, grande parte está concentrada na capital Rio Branco e no município de Cruzeiro do Sul.

Leia Também:  Acre cria mais de 4,4 mil empregos formais

No interior, excluindo Cruzeiro do Sul, há apenas 12 hospitais e unidades mistas em funcionamento, localizados em municípios como Brasileia, Feijó, Sena Madureira, Tarauacá, Senador Guiomard, Xapuri, Assis Brasil, entre outros.

Comparativo nacional

O Acre apresenta uma taxa média de aproximadamente 1,9 a 2,0 leitos de internação para cada mil habitantes, segundo o CNES e dados do IBGE 2024, enquanto a média nacional gira em torno de 2,1 leitos por mil habitantes. Estados como o Rio Grande do Sul e o Distrito Federal alcançam índices superiores a 2,5 leitos.

Quando se analisa a disponibilidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o Acre possui atualmente cerca de 146 leitos de UTI adulto, pediátrico e neonatal, o que representa aproximadamente 1,7 leitos de UTI por 10 mil habitantes — ainda dentro do limite mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas abaixo da média brasileira, que se aproxima de 2,2.

Cenário histórico e desafios persistentes

Em 2010, o Acre já contava com aproximadamente 1.561 leitos distribuídos em 337 estabelecimentos de saúde. Nos últimos anos, o crescimento da rede pública hospitalar não acompanhou o aumento populacional, criando um gargalo estrutural que sobrecarrega especialmente as emergências de Rio Branco.

Leia Também:  Governo do Acre reforça ações contra violência sexual infantil em seminário estadual

Mesmo com a ampliação pontual anunciada, especialistas em gestão hospitalar alertam que o Acre ainda depende de ações estruturantes mais robustas para equilibrar a oferta hospitalar, modernizar as unidades existentes e expandir os serviços de alta complexidade, principalmente no interior.

Além do déficit quantitativo, muitos hospitais do interior ainda operam como unidades mistas, com limitações na oferta de especialidades médicas, exames de imagem e capacidade cirúrgica.

Conclusão

Embora o governo celebre a criação de novos leitos como parte de um esforço emergencial, os números evidenciam a necessidade de investimentos contínuos e planejamento de longo prazo. A vulnerabilidade histórica da rede hospitalar acreana ainda exige atenção prioritária de gestores públicos, sobretudo para garantir assistência de qualidade à população do interior, que segue mais dependente de transferências para a capital.

 

Fonte: Agência de Notícias do Acre

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade