📍 Reportagem | Portal Acre Conservador
Um problema silencioso, mas cada vez mais visível nas ruas de Rio Branco e em cidades do interior do Acre, ameaça não só o bem-estar animal, mas a saúde de toda a população: o abandono e a proliferação descontrolada de cães e gatos em situação de rua. A questão foi debatida na Tribuna Popular da Câmara Municipal, realizada nesta terça-feira (24), a partir de requerimento do vereador Aiache (PP).
O evento contou com a participação do médico veterinário José Nelson dos Santos Morais Neto, que fez uma exposição técnica e contundente sobre os riscos das zoonoses – doenças transmitidas de animais para humanos – que se propagam com maior facilidade em ambientes urbanos onde há aglomeração de animais sem controle sanitário.
“A situação dos animais errantes é um problema de saúde pública, não só de proteção animal. Precisamos entender que o abandono é crime e que zoonoses não se combatem apenas com campanhas esporádicas”, afirmou o vereador Aiache.
📈 Mais de 20 mil cães abandonados em Rio Branco

Estimativas feitas por ONGs locais e pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária apontam que há mais de 20 mil cães abandonados só em Rio Branco — isso sem contar os gatos e os casos não visíveis em áreas rurais. Em cidades como Cruzeiro do Sul, Brasileia e Senador Guiomard, o problema também é crescente.
Sem políticas públicas estruturadas, os animais vivem sem cuidados, reproduzem-se descontroladamente e se tornam vetores de doenças perigosas como leptospirose, toxoplasmose, verminoses, raiva e até a equinococose neotropical (doença da paca).
⚠️ Zoonoses e saúde pública em risco
O veterinário José Nelson alertou para o conceito de “Saúde Única”, que integra saúde animal, humana e ambiental. “Não adianta tratar apenas o ser humano ou o animal isoladamente. Se o ambiente continua contaminado, o risco permanece para todos”, explicou.
Ele lembrou que o Centro de Zoonoses de Rio Branco não é hospital veterinário e que sua função é monitorar e agir em casos de risco sanitário, não fazer atendimentos clínicos rotineiros.
“O ciclo das zoonoses é mantido pela ausência de saneamento, pela convivência com animais doentes e pela falta de educação ambiental. Precisamos de ações conjuntas entre secretarias e participação da sociedade”, destacou.
🐾 A origem: o abandono começa em casa
Grande parte dos cães e gatos errantes não nasceu na rua. Eles foram abandonados por famílias que um dia os adotaram. A maioria dessas adoções se dá por impulso – muitas vezes para agradar filhos pequenos, sem considerar os custos, o tempo e a responsabilidade que um animal exige.
“Ao abandonar um cão, o que estamos ensinando aos nossos filhos? Que a vida é descartável? Que se pode desistir de alguém quando dá trabalho?”, questiona a protetora de animais Luciana Ribeiro, da ONG Patas Unidas.
Esse abandono revela um reflexo social mais amplo: se uma pessoa não é capaz de cuidar com paciência e empatia de um animal, como pode desenvolver relacionamentos humanos saudáveis, inclusive dentro da própria família?
🛑 Como enfrentar o problema?
Especialistas apontam que as soluções existem, mas exigem planejamento, investimento e consciência coletiva:
- Programas permanentes de castração em larga escala;
- Educação pública sobre posse responsável;
- Criação de centros de acolhimento regionais com parcerias entre poder público e ONGs;
- Incentivos à adoção com acompanhamento e penalização real ao abandono, que é crime segundo o art. 32 da Lei de Crimes Ambientais.
Contudo, os obstáculos são grandes: falta de recursos, baixa prioridade política e ausência de uma cultura de respeito à vida animal tornam o combate lento e desigual.
✅ Acompanhe o debate no Portal Acre Conservador
A explosão de animais errantes em Rio Branco é um reflexo direto da omissão e do abandono. A solução exige união entre governo, sociedade civil e cidadãos conscientes. O Portal Acre Conservador seguirá acompanhando o tema com seriedade e responsabilidade.
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Fonte Primária: Câmara de Vereadores de Rio Branco



























