O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou na segunda-feira (16) ofício-circular autorizando o trânsito de gado entre todas as zonas livres de febre aftosa sem vacinação em território nacional. A medida representa um marco para a pecuária brasileira, que se consolida como uma das mais robustas e sanitarizadas do planeta.
A decisão fortalece a comercialização de bovinos nos estados reconhecidos como zonas livres sem vacinação — entre eles Alagoas, Amapá, Amazonas, Acre, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, São Paulo e o Distrito Federal, entre outros — após o Brasil ter recebido, em maio, o certificado oficial da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), durante a 92ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados, em Paris.
Esse reconhecimento é fruto de décadas de trabalho conjunto entre produtores, técnicos e órgãos sanitários. A erradicação da febre aftosa sem o uso de vacinas representa um avanço estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA), elevando o país a um novo patamar no comércio internacional de carnes.
Força da pecuária brasileira no cenário mundial
O Brasil é hoje o maior exportador mundial de carne bovina, respondendo por cerca de 23% do mercado global, com embarques que ultrapassaram 2,2 milhões de toneladas em 2024, gerando mais de US$ 10 bilhões em receitas. A produção nacional de proteína animal é um dos principais motores da balança comercial brasileira, sendo responsável por cerca de 20% das exportações do agronegócio, que movimentaram mais de US$ 160 bilhões no último ano.
Acre: potencial de crescimento dentro do novo cenário
Com um rebanho bovino estimado em mais de 3,7 milhões de cabeças, o Acre ocupa posição de destaque no Norte do país. A recente liberação do trânsito entre zonas livres sem vacinação representa um fôlego para os produtores locais, que ganham mais competitividade e acesso a novos mercados, inclusive internacionais. Estados como o Acre, que antes enfrentavam restrições sanitárias que limitavam sua atuação comercial, agora poderão integrar cadeias de exportação com maior segurança jurídica e comercial.
De acordo com Renan Viana, coordenador do Programa Estadual de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (Peefa), do Idaf, o novo status sanitário permitirá um planejamento mais eficiente de produção, oferta e demanda, consolidando o Acre como importante polo agropecuário da Amazônia Ocidental.
Segurança sanitária ainda é prioridade
Apesar da flexibilização, o controle sanitário permanece rigoroso. O trânsito de animais entre os estados continuará condicionado à emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), que deve especificar origem, destino e histórico sanitário dos animais. A chefe de Fiscalização de Trânsito Agropecuário do Idaf, Camila Machado, destaca que a vigilância constante é fundamental para garantir que o Brasil não retroceda em seu avanço sanitário.
O momento é de celebração, mas também de responsabilidade. O Brasil se consolida como um protagonista global na produção de carne bovina — e estados como o Acre têm agora a oportunidade de ampliar sua presença nesse cenário competitivo, com mais empregos, renda e desenvolvimento sustentável para a região.
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Fonte: Agência de Notícias do Acre / Reportagem construída com auxílio de IA


























