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SINAL DOS TEMPOSVolkswagen pode converter fábrica alemã para produção de armamentos

Montadora estuda transformar unidade de Osnabrück em polo de defesa, com possível parceria israelense.

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A Volkswagen avalia uma guinada estratégica diante de sua crise na Europa. A montadora projeta o fechamento de quatro plantas no continente e a demissão de até 100 mil trabalhadores. Nesse contexto, uma de suas unidades fabris mais emblemáticas pode ganhar novo destino: a produção de componentes militares e sistemas de defesa.

A fábrica de Osnabrück, localizada na Baixa Saxônia, Alemanha, está no centro dos planos. O governo estadual estuda adquirir uma participação direta no local para viabilizar a transição para o setor bélico. A informação foi publicada pelo jornal alemão Hase Post.

As negociações avançadas preveem uma aliança com a Rafael Advanced Defense Systems, estatal israelense de defesa. Caso se concretize, a unidade passaria a fabricar componentes essenciais para o sistema de blindagem e defesa aérea Iron Dome (Domo de Ferro).

O foco da produção seria em veículos pesados de transporte, geradores e suportes de lançamento. Mísseis e ogivas continuariam sendo produzidos exclusivamente em Israel. As demissões na Volkswagen ocorrerão em duas etapas de até 50 mil funcionários cada.

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O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, estabeleceu limites para a transformação em Osnabrück: a montadora não fabricará armas de fogo ou munições. A proposta é direcionar a capacidade técnica e a engenharia da fábrica para veículos de transporte militar e sistemas de defesa.

Blume defende que a mudança representa uma contribuição da companhia para a estabilidade democrática e a soberania da Europa, especialmente diante do atual cenário de segurança no continente.

Apenas quatro meses atrás, em março, a Volkswagen havia negado qualquer plano de converter Osnabrück para uso militar. A empresa emitiu comunicado ao Infomoney afirmando que “continuaria descartando a produção de armas” e que as notícias sobre mudança de rumo eram especulações.

A nova estratégia de corte de custos liderada por Blume, no entanto, parece ter alterado as decisões. O fechamento definitivo da produção de automóveis de passeio em Osnabrück a partir do verão europeu de 2027 já foi confirmado, após 126 anos de história automotiva na região.

Sem um novo produto viável no segmento civil, a infraestrutura da fábrica e o conhecimento técnico de seus cerca de 2.300 funcionários tornaram-se alvo da crescente demanda por defesa na Europa.

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Para salvar os empregos locais, o governo da Baixa Saxônia avalia adotar o modelo aplicado ao estaleiro Meyer-Werft, onde o poder público assumiu participação temporária para evitar a falência.

No caso de Osnabrück, a Volkswagen pretende reduzir sua participação para menos de 50%, tornando-se sócia minoritária ao lado da Rafael e do governo alemão.

Apesar do apelo comercial e do apoio de Berlim, que busca expandir a capacidade bélica no cenário geopolítico atual, o negócio enfrenta obstáculos. O fundo soberano do Catar, que detém ações com poder de voto na Volkswagen AG, demonstrou forte resistência a uma parceria direta com uma empresa de defesa israelense.

As negociações continuam e devem definir nos próximos meses se a icônica fábrica, que já produziu conversíveis e esportivos, se tornará uma peça central da defesa aérea militar europeia.

Fonte: ND+

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