A cinebiografia ‘Dark Horse’, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. As negociações envolveram contatos diretos com o filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pressionava pelos pagamentos.
As informações foram reveladas pelo portal Intercept Brasil nesta quarta-feira (13), que teve acesso a mensagens e a um áudio enviado por Flávio para Vorcaro em setembro de 2025. A TV Globo confirmou com investigadores e fontes com acesso aos dados a existência do áudio e do conteúdo da reportagem.
Segundo o Intercept, Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção do filme entre fevereiro e maio de 2025. O banqueiro está preso em São Paulo, e a Polícia Federal estima que as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões.
O filme é estrelado pelo ator americano Jim Caviezel, conhecido por ‘A Paixão de Cristo’ (2004) e ‘Som da Liberdade’ (2023). Ele interpreta Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
A direção é de Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de 69 anos, que já dirigiu filmes para TV como ‘Depois do Atentado’ e para o cinema como ‘O Apedrejamento de Soraya M.’. Ele coescreveu o roteiro com Mark Nowrasteh, baseado em argumento de Mario Frias, ator e ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro.
O elenco inclui Esai Morales (‘Missão: Impossível – O Acerto Final’), Lynn Collins (‘The Walking Dead’), Camille Guaty (‘Duster’) como Michelle Bolsonaro e Jeffrey Vincent Parise (‘General Hospital’).
A sinopse oficial, divulgada pelo site Deadline, descreve o filme como ‘inspirado por eventos reais’ e acompanha a ascensão de Bolsonaro de ‘capitão de exército desconhecido a líder populista’ no Brasil polarizado, até enfrentar ‘um plano mortal de assassinato’ — referência à facada em 2018 — transformando sua luta ‘em uma batalha por sobrevivência, verdade e a alma de uma nação’.
O diretor Cyrus Nowrasteh afirmou ao Deadline que o filme foi concebido ‘não como um retrato biográfico, mas como um thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque’. Ele disse que a história da ‘ascensão improvável’ de Bolsonaro e o atentado serviram de base para explorar ‘até onde sistemas estabelecidos podem ir para se preservarem’.
Sobre a data de estreia, em 7 de abril de 2026, Caviezel publicou no Instagram que o filme chegaria em 11 de setembro de 2026. No entanto, o Deadline informou em 21 de abril que ‘não há data de lançamento’ e que os cineastas ainda buscam vender o projeto.
O financiamento e as cobranças de Flávio Bolsonaro a Vorcaro levantam questionamentos sobre a origem dos recursos e a relação entre o entorno do ex-presidente e o banqueiro preso. A produção segue em desenvolvimento, com expectativas e controvérsias.
Fonte: G1


























