A Polícia Federal (PF) abriu uma nova frente de investigação para apurar a possível existência de uma rede de exploração sexual nas festas organizadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A apuração se dá em paralelo à entrega de uma proposta de delação premiada pela defesa do executivo.
O foco da PF é identificar as mulheres que frequentavam os eventos, incluindo estrangeiras, tratando-as como potenciais vítimas no contexto da investigação. A intenção é verificar se havia um esquema estruturado de exploração, o que poderia configurar um crime autônomo, independente de outras suspeitas, como fraude bancária.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou publicamente sobre esta nova investigação.
As festas promovidas por Vorcaro, especialmente no distrito de Trancoso, na Bahia, já estavam sob o escrutínio de órgãos fiscalizadores. Em fevereiro, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou a abertura de uma investigação para identificar a presença de agentes públicos nesses eventos e verificar o possível uso de recursos públicos em deslocamentos ou participação.
Segundo o subprocurador-geral Lucas Furtado, que fez o pedido ao TCU, os encontros, conhecidos como “Cine Trancoso”, eram marcados por um rígido controle de acesso. Entre as medidas apontadas estavam a proibição de uso de celulares, instalação de detectores de metais, monitoramento por câmeras e uma lista restrita de convidados. Tais eventos teriam reunido integrantes dos Três Poderes, do mercado financeiro, da política e do meio jurídico.
Mensagens analisadas pela PF reforçam as suspeitas. Em um dos diálogos, a proprietária de uma casa alugada por Vorcaro em Trancoso expressa desconforto: “O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a empresária em outubro de 2022.
Outra conversa sob análise mostra Vorcaro respondendo à sua então noiva, Martha Graeff, sobre a presença de prostitutas em suas festas. “Fazia parte do meu ‘business’. Nunca te escondi o que fiz, e por que fiz. Fiz festa com 300 desse tipo”, afirmou o ex-banqueiro.
As investigações também indicam que os encontros organizados pelo ex-banqueiro serviam como ambiente para a aproximação com autoridades públicas, conforme informações da Infomoney.
Fonte: ND+





























