“Queridos e esperançosos súditos desta vasta e confusa província!
A folia de Momo finalmente recolheu seus confetes, embora saibamos que certas figuras da nossa corte desejariam estender o baile até outubro.
Como ocorre em todas as temporadas, a vida finge que recomeça neste ‘país do futuro’, que nunca chega e que parece sofrer de uma eterna e conveniente amnésia.
Enquanto a necessidade premente de trabalho e produção clama por atenção, muitos preferem o conforto das sombras, aguardando que o ano encurte entre futilidades e os escândalos da vez.
Saem as marchinhas, entram os factoides da Matrix: o circo dos reality shows, as narrativas das teledramaturgias ‘lacradoras’, as relevâncias algorítmicas – que nada somam ao espírito humano – e o ópio futebolístico quadrienal.
Não se iludam: em uma corte onde semideuses de capas pretas ditam não apenas a lei, mas o próprio caminhar dos cidadãos, a mudança é uma quimera para quem não se dispõe a lutar.
Nossa liberdade exige que as espadas sejam empunhadas — e por espadas, entendam vossos títulos de eleitor e vossa coragem civil.
Que o Criador nos guarde nesta temporada que se inicia. Pois, no fim das contas, quando as luzes da ribalta se apagam, resta-nos o Salmo 91 para nutrir a alma e manter a vigília.
Com o devido (e vigilante) carinho, Lord Wake.”
































