Com a meta de fortalecer a rede de resposta rápida diante de possíveis surtos de sarampo, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) realiza, entre os dias 24 e 26 de junho, uma oficina estratégica de capacitação em Rio Branco. A ação, desenvolvida com apoio do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), visa preparar técnicos e profissionais de saúde para atuarem com agilidade diante de qualquer caso suspeito, especialmente considerando o risco de reintrodução da doença a partir da fronteira com a Bolívia, onde já há registros recentes.
Embora o Acre não registre casos de sarampo desde o ano 2000, o alerta é justificado: a baixa cobertura vacinal no estado coloca a população em situação de risco. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Acre alcançou 79,2% de cobertura vacinal com a tríplice viral em 2023, abaixo da meta de 95% recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos cinco últimos anos, a cobertura oscilou entre 68% e 83%, com tendência de queda desde 2020.
Situação na Região Norte e no Brasil
Comparando com os demais estados da Região Norte, o Acre está em terceiro lugar em cobertura vacinal contra o sarampo, ficando atrás do Tocantins (84,6%) e do Amapá (82,3%). O estado está à frente do Amazonas (77,4%), Pará (74,5%), Roraima (71,1%) e Rondônia (69,8%). A média nacional de vacinação em 2023 foi de 82,6%, também abaixo do ideal, revelando uma preocupação generalizada.
Em relação a casos confirmados, o Acre se mantém livre da doença, mas o Brasil registrou 42 casos de sarampo em 2024, concentrados nos estados de São Paulo, Amapá, Pará e Roraima — todos com forte circulação migratória e baixa vacinação. A manutenção do status de eliminação da doença no país, conquistado em 2016 e perdido em 2018, ainda é um desafio.
Capacitação técnica e estratégia coletiva
A oficina promovida em Rio Branco reúne profissionais da capital e do interior — incluindo áreas de difícil acesso, como Tarauacá e Jordão — e engloba representantes da vigilância epidemiológica, imunização, núcleos hospitalares, laboratório, Cievs e Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI). O treinamento reforça a importância da resposta ágil e coordenada a qualquer caso suspeito, o que pode ser decisivo para conter surtos precoces.
“A nossa expectativa é de que o sarampo não volte ao Acre, mas, caso isso aconteça, estamos capacitados para agir com firmeza e evitar que a doença se espalhe”, disse a secretária adjunta de Saúde, Ana Cristina Moraes.
Já a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações no Acre, Renata Quiles, destaca o risco real:
“Com fronteiras expostas e coberturas vacinais baixas, somos um estado de risco. A prevenção e a pronta-resposta são as únicas garantias contra um retrocesso sanitário.”

Vacinação: um ato coletivo de proteção
A vacina tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) é a principal arma para manter a população protegida. Disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde, ela deve ser administrada em duas doses para crianças e uma dose em adultos até os 49 anos, conforme o calendário vacinal.
Mais do que um cuidado individual, a vacinação é um compromisso coletivo com a saúde pública. Altas coberturas evitam surtos, reduzem internações e salvam vidas. A capacitação promovida no Acre reforça esse pacto com a vida.
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Fonte Primária: Agência de Notícias do Acre































